Ross estava dormindo, mas eu simplesmente não conseguia.
Ouvi algum celular tocar, era o do dele, peguei e o olhei, número privado.
Atendi, não queria acordá-lo.
- Alô?
- Ross? - era uma voz soluçando.
- Não, é a namorada dele. Quem é?
- AHHHH ME AJUDA! Por favor! - ela gritou chorando.
- O que foi? - desesperei.
- Me ajuda! Por favor! - ela gritou um endereço, levantei correndo da cama.
Ross acordou desesperado, fui catando minhas roupas e mandando a menina se acalmar.
Ela gritava o endereço, Ross me olhava desesperado sem entender.
- Já estou indo! - eu disse para a menina e desliguei. - Se veste menino!!
- Por que?
Eu disse o endereço e ele ficou mais confuso.
- Se troca! Uma menina ligou aqui, pedindo ajuda e não parava de gritar esse endereço, ela estava chorando e desesperada, VAMOS!
Ele se arrumou igual ao flecha e saímos de casa.
Ele dirigia igual a um louco.
Quando chegamos, era uma casinha amarela, tinha apenas uma luz acessa, ouvia-se gritos e mais gritos.
Desci correndo do carro, abri a porta e subi, a menina estava na cama, chorando, encolhida.
- O que foi? - cheguei perto da menina, tirei seus cabelos de seu rosto e me assustei.
Brittany.
Ela estava chorando muito e gritando.
- Por favor me ajuda... - ela colocou a mão na barriga.
BRITTANY ESTAVA GRÁVIDA!
Fiquei atordoada.
Eu tremia igual uma vara verde.
- O que...?
- Depois eu explico! Me ajuda Niina! Por favor! - ela suplicou.
Ross veio até a cama e a pegou no colo.
- Onde está a bolsa? - ela apontou para uma bolsa verde ao lado da cama.
Peguei e descemos.
- AH! - ela gritou.
Ross a colocou no banco de trás, me sentei com ela, ela apertava minha mão segurando o grito.
Chegamos logo no hospital, os médicos a colocaram na maca e a levaram para um quarto.
Fiquei esperando com Ross, a nove meses atrás eu e ele não estávamos juntos, esse filho pode muito bem ser do Ross!
- Srta. Niina? - o médico chamou.
- Sim?
- A Srta. Brittany pediu para que a Srta. a acompanhasse no parto.
Assenti e o segui, não antes de dizer para Ross que tudo ficaria bem.
Entrei no quarto, Brittany estava sendo preparada para o parto.
- Niina. - ela chamou. - Me desculpa... Eu...
- Sh... Tudo bem! - sorri.
- Na bolsa do bebê... Tem uma carta... Explicando tudo... Me desculpa Niina! - ela estava chorando.
- Shh... Não precisa de desculpa Brittany!
- Eu sempre tive tanta inveja de você Niina! Os meninos caiam babando por você, mas te respeitavam... Niina...
- Chega Brittany! - passei a mão em seu cabelo, sempre perfeitamente loiro e encaracolado nas pontas, agora suado. - Tudo vai ficar bem.
- Não Niina! - ela sorriu triste. - Eu sei que eu não vou aguentar... Minha médica disse isso!
- Não diga uma coisa dessas Brittany!
- Temos que ir meninas. - a enfermeira avisou.
Brittany apertava minha mão super forte.
- Vai ficar tudo bem Brittany! - ela deu um sorriso frouxo.
Fomos até a sala de cirurgia em silêncio, às vezes ela gritava com a dor, mas nada demais.
Os médicos preparavam tudo, Brittany estava apertando minha mão, eu já não a sentia mais.
Eu estava parada, com muito medo do sangue e confusa demais.
PUTA QUE PARIU ROSS VAI SER PAI CARALHO!
Acordei pro mundo quando Brittany deu um berro ensurdecedor, os médicos discutiam, eu ouvia os "bips" do coração da Brittany, eles estavam cada vez mais baixo, os médicos estavam se desesperando, ela estava com a respiração falha, até o aperto da na minha mão estava mais fraco.
Ouvi o chorinho do bebê, os olhos de Brittany brilharam cheios de lágrimas, o médico mostrou o pequeno, o nariz era idêntico ao do Ross, mas os olhos eram de Brittany, azuis.
- Pedro... Pequeno Pedro... - ela passou as mãos em seus cabelinhos.
- Pedro... Que lindo Brittany. - sorri.
A enfermeira levou o pequeno Pedro para o banho, ouvi um bip comprido, me desesperei, sabendo o que vinha a seguir.
Um enfermeiro me tirou de dentro da sala.
Corri para o corredor onde Ross estava, ele andava de um lado para o outro.
- E então? - ele me olhou aflito.
- É um menino lindo! Brittany quer chamá-lo de Pedro.
- Ele é... - assenti.
Lagrimas se formaram em seus olhos.
- Por que você saiu? E a Brittany?
- Ela... Ela me disse que a médica dela avisou que ela poderia não sobreviver... Eu não sei o que aconteceu.
Ele sentou novamente, ele tremia, segurei suas mãos.
- Ei... Vai ficar tudo bem ok?
- E se a Brittany morrer?
- Nós cuidaremos dessa criança.
- Eu não vou te obrigar a cuidar dessa criança...
- Ross. - puxei seu rosto. - Eu cuidarei dessa criança como se fosse meu filho! Sabe por que? Você e Brittany não queriam ter um filho certo? Essa criança não tem culpa de nada!
Ele me abraçou.
- Vai ficar tudo bem ok? - sorri passando as mãos por seus cabelos.
- Com licença... - uma enfermeira sorriu. - Querem ver o bebê?
Assenti, Ross estava tremendo.
Ele me abraçou pelos ombros, tentando parar de demonstrar tão confuso.
- É aquele ali olha... - ela apontou pra um bebezinho enrolado numa cobertinha verde.
A enfermeira nos deixou, Ross estava vidrado no pequeno.
Ele estava quieto, as enfermeiras estavam andando de um lado para o outro, olhando para todos os pequenos.
- Vocês já sabem o nome do pequeno? - uma enfermeira perguntou com uma prancheta.
- Pedro. - olhei para Ross sorrindo.
- Ok, preencham essa ficha e depois me entreguem ok?
Peguei a prancheta e sentei numa cadeira perto da sala.
Ouvi um celular tocar, estava na bolsa do Pedro.
Peguei e olhei o nome "mamãe".
Atendi.
- Alô?
- Brittany?
- Não, é a amiga dela.
- Ah... Como está minha filha?
- Ela... Ela está na sala de cirurgia... Eu an...
- Ela está bem? - ela se desesperou.
- Eu não sei...
- Em qual hospital vocês estão? - passei o nome do hospital e desliguei.
Atordoada demais para pensar em preencher a ficha, decidi ligar para Lilly.
- Alô? - uma voz masculina e sonolenta atendeu.
- Riker?
- Hm...
- Oi... É a Niina... Er... Tem como você e seus pais virem pro hospital??
- Por que? Tá tudo bem Niina?
- Tá sim...
- Ok, já estamos indo.
Ross sentou do meu lado, ele abaixou a cabeça, eu queria falar alguma coisa, mas preferi ficar quieta.
- Como eu vou contar isso pros meus pais? Eles vão querer me matar! Niina! Eu to imaginando até a cara de decepção da minha mãe... - ele começou a chorar.
- Ei... Nada disso vai acontecer! Seus pais vão entender que isso não passa de um erro! - passei minha mão em seus cabelos.
- Niina... Isso não está certo! Nada disso!
- Ei! Chega de pensar só no lado ruim! Pensa no lado bom disso tudo...
- E qual seria?
- Ai era pra você pensar... - brinquei, ele soltou uma risadinha. - Eu terei um motivo a mais pra ficar com você. - olhei em seus olhos.
- Pensei que você fosse armar o maior barraco e terminar comigo.
- Olha, o que passou pela minha cabeça foi que eu não aceitaria essa criança. - admiti. - Mas quando eu vi Brittany pedindo desculpas para mim, quando eu vi aquela coisinha pequena, eu entendi que ninguém era culpado, eu não posso odiar Brittany, você viu, ela estava morando sozinha, provavelmente foi expulsa de casa, você não tinha essa intenção, tinha? - ele negou. - O pequeno só está aqui por um descuido... Ele não pediu para nascer. Então ele não tem culpa nenhuma. - sorri.
- Eu te amo Niina!
- Eu também... Eu também me amo. - ele negou rindo.
- Você é muito besta sabia?
- Eu sei. - fez sinal de 'paz e amor' e ele riu.
Ouvi o elevador abrir as portas, é uma mulher com roupas caras sair esbaforida dele.
- Cadê minha filha? Cadê minha bebê? Cadê minha Britt?
- Calma! Ela ainda está na sala de parto, nenhum médico veio dizer nada.
Um médico entrou na sala de espera e me chamou.
- Lamento informar... - o médico começou. Não precisei nem ouvir o resto. - A srta. Brittany morreu por parada cardíaca e perda de sangue.
Assenti.
Brittany havia morrido.
- Onde está minha Britt? - a mãe da menina perguntou.
Respirei fundo.
- Sente-se por favor.
- Não! Cadê minha filha? - ela começou a chorar. - Cadê minha bebê?
- Ela morreu! Ela perdeu muito sangue e teve ataque cardíaco.
A mulher se calou.
Ela caiu sentada na cadeira, ela tremia e soluçava.
- Calma... - sentei ao seu lado.
- Minha filha... Morta... - ela balbucinava. - Meu Deus! Por que?
Ross estava quieto, de braços cruzados, com o olhar inexpressivo.
- Calma... Essa dor vai passar. - eu consolava a mãe da Brittany.
Logo ouvimos o som do elevador, quando Ross viu seus pais ele gelou, eu engoli seco.
Tia Stormie correu até ele, Mark foi lentamente até ele, eles me olharam sem entender, por que eu estava consolando uma estranha?
- Niina? - Lilly me chamou.
- Abaixa. - eu disse baixinho. Ela ajoelhou do meu lado. - Brittany estava grávida, do Ross.
Lilly ficou abismada, com cara de choque.
- Mas fica quieta, Ross vai contar a todos.
- Minha filha! Que vá em paz! - a mãe de Brittany secou as lágrimas. - Posso ver meu neto?
- Claro.
Ela levantou, a levei até o berçário, mostrando o pequeno.
- Ele é lindo...
- É...
- Pena que Brittany nunca poderá cuidar dele...
Preferi ficar quieta.
A mulher estava vidrada em Pedro.
- Brittany escolheu o nome dele?
Assenti.
- Pedro...
- Que lindo... - uma lágrima gorda passou por sua bochecha. - Ela sabia que esse seria o nome de seu irmão... Minha filha... Você promete cuidar dele? - me assustei. - Eu sei que ele é filho daquele menino. - ela apontou para Ross. - E sei que ele é seu namorado. Promete cuidar de Pedro?
- Mas...
- Cuide dele... Por favor.
- Cuidarei.
Ela assentiu, lançou um último olhar ao pequeno e deu as costas.
Fiquei parada, olhando o pequeno.
(...)
Tia Stormie e Mark deram um sermão em Ross, mas disseram o mesmo que eu: não era culpa de ninguém, nem de Brittany, nem de Ross, nem de Pedro.
Os dias foram se passando, meus pais não disseram nada sobre Pedro, eles disseram que eu já era maior de idade e se eu não via problema algum, eles também não.
- Niina? - Lilly me balançou.
- Que?
- Carta para você. - ela jogou-a em cima de mim.
A peguei e abri.
Blá blá blá... A srta. foi aceita na academia de cinema da Califórnia.
- AH MEU DEUS! LILLY EU PASSEI! EU PASSEI LILLY! - comecei a gritar.
- Parabéns Niina!! - ela me abraçou.
- Lilly! Eu passei! Meu Deus! - comecei a fazer uma dancinha escrota.
- O que foi meninas?
- MÃE EU PASSEI!!! - mostrei pra ela minha carta.
- Parabéns filha! - ela me abraçou.
- E você Lilly?
- Hm... Passei! Acabei de ver também! - a abracei e subi correndo.
Meu celular tocou, atendi após ver quem era, Ross.
- Olá amor da minha vida.
- O que você quer?
- Ai você é chato... Não se pode nem mais brincar nessa vida.
- Fofa... - ele riu. - Enfim... Pedro sai hoje do hospital, você vai comigo?
- Vou!! - corri até o meu armário.
- Ok, te pego daqui quinze minutos.
Desliguei, joguei o celular na cama e peguei minha roupa.
Tomei um banho rápido e me troquei.
@NiinaSmith "No matter what, i'll with u"
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Peguei meu celular, troquei a capinha e desci.
- Mãe, eu vou com Ross buscar o Pedro no hospital tá?
- Tá bom filha. - ela sorriu sem me olhar. - Não volte tarde.
Assenti e sai de casa ouvindo a buzina.
Entrei no carro, dei um selinho em Ross e ele arrancou.
Fomos em silêncio, eu sentia que ele estava tenso, mas eu queria que ele se sentisse bem, ele não poderia ficar assim pra sempre com Pedro.
- Ei... Se acalma... Você tá tenso... - passei minha mão por seu pescoço.
- Um pouco...
- Então se acalma Ross! - beijei sua bochecha. - Tudo vai ficar bem.
Ele assentiu e estacionou.
- Eu estou bem! É só... Medo.
Assenti e sai do carro.
Tivemos que dar nossos nomes pra poder entrar, tivemos que preencher muitas fichas para poder tirar Pedro do hospital.
Quando a enfermeira me deu ele, juro que senti algo diferente, como um calor no coração.
- Oi príncipe... - passei a mão em seus cabelinhos. - Quer ir no colo do papai? - Ross estava tremendo. - Se acalma... Você vai passar seu nervosismo para ele.
Ele respirou fundo e pegou Pedro.
- Viu... Ele não morde. - sorri.
Pedro ficou encarando Ross, e depois seguro o dedo de Ross e sorriu.
- Ele tá sorrindo Niina. - Ross estava com os olhos lacrimejando e sofrido igual a um bobo.
Naquele momento eu comecei a pensar em Ross e eu com uma família.
Comecei a pensar no futuro, no nosso futuro!
No futuro com o cara que eu amo.
Um futuro que poderia estar bem próximo se eu quisesse.
@NiinaSmith "Se é meu filho de sangue? Não... Mas é de coração, eu o adotei, eu quero ser sua mãe, cuidar desse pequeno ser que veio ao mundo sem planejamento, quero protege-lo de todos os perigos, quero ser aquela que ele chamará de "mamãe" e me abraçará, mas quero ser aquela que ele quando maior irá dizer "mãe me solta" quando eu o abraça-lo.
Quero ser a pessoa que ele terá como heroína e como espelho! #PequenoPedro #Pedrinho"
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@NickMo "QUEM É ESSE PEQUENO? VOCÊ O ADOTOU NIINA? MDS!"
@NiinaSmith "@NickMo não hahaha te explico no whats, chama lá"
@Rosslynchr5 "O início da nossa longa história..."


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