Fiquei olhando o menino a minha frente... Como assim? Não... Só posso estar tento ilusões...
- Niina? Tá tudo bem? - ele passou a mão na minha frente.
- Ross...? - perguntei com os olhos marejados e a voz embargada.
- Sim... Ué, quem mais seria?
Sem pensar o abracei, mas não um abraço normal, um abraço apertado, quente e cheio de saudade.
- O que... Por que? Como... Você... Meu Deus! - eu o soltei.
- Terminamos os episódios antes, então fui liberado antes.
Não o respondi, apenas o puxei para um beijo quente, com muita pressa, muita pressa daquilo acontecer logo.
Tivemos que nos separar para respirar, ou morríamos.
- Posso? - ele abaixou e pegou o pincel.
Assenti, sorrindo.
- Algum desenho específico? - ele perguntou mergulhando o pincel no rosa.
- Rosa? - arqueei uma sobrancelha.
- Sua cor favorita ué.
- Verdade... - ri. - Não faça nenhum desenho...
- Hm... - ele pensou um pouco e começou a pintar minha blusa.
Fechei os olhos, deixando que ele terminasse seu trabalho.
Senti o pincel ficar mais suave e sua respiração perto da minha barriga.
Num súbito susto, prendi o ar, suas mãos foram a minha cintura, deixando o pincel novamente, cair no chão.
Ross se levantou, ficando maior que eu, sua respiração batia contra a minha, levei meus braços a seu pescoço, e ali comecei a fazer um carinho lento.
Seus lábios entraram em contato com os meus, num rápido selinho.
Fechei os olhos fortemente, apertei os pelinhos de sua nuca e me impulsionei para cima, ficando em seu colo.
- Quanto fogo...
- Muita saudade... - sorri. - Vamos pra algum lugar.
- Meu carro?
Assenti rapidamente, desci de seu colo, não nos despedimos de ninguém e corremos pra fora.
O vento frio ricocheteou meu corpo quente, me fazendo, por extinto, me aproximar de Ross.
Demos risada e continuamos andando rápido.
Chegamos a seu carro, mas ele ainda estava procurando, nos bolsos da calça, a chave do carro.
- Vai Ross, tá frio.
- Eu sei, eu sei... - ele continuava procurando o objeto enquanto eu quase congelava.
Me soltei dele e o ajudei a procurar, claro, não ajudando muito, por que seu bolso estava uma grande bagunça.
- Onde tá a merda da chave? - ele estava ficando desesperado, e eu também.
- Ross, calma, onde você a deixou antes de entrar? - o questionei segurando seus braços.
- Ahn... - ele olhou para cima pensando. - Puta que pariu... - ele arregalou os olhos.
- Que foi? - perguntei curiosa.
- Está no porta-malas.
- Oi?
- É, eu fui guardar umas coisas, acabei deixando a chave em cima da mala e o fechei... Sem pegar a merda da chave!
- Não acredito! Ross como você pode ser tão...?
- Caralho Niina, eu já estou me culpando o suficiente! Não enche! Eu também sou humano, também erro! Porra! - ele me cortou nervoso.
Me senti magoada, ok, eu exagerei... Mas poxa... Me sentei no meio fio, ignorando o vento gelado e o frio que estava o chão.
Respirei fundo, segurando as lágrimas, TPM, só pode.
Olhei para os lados, ele ainda estava xingando o vento, ainda muito bravo, me levantei e fui para porta da pub, pra pegar minhas coisas e pedir pra alguém me levar pra casa, aquela noite já tinha dado pra mim.
Ross não me seguiu, menos mal.
Encontrei Rydel rindo com Rattflif, hmmmm isso vai dar em algo.
- Ry, já vou embora tá?
- Já? Por que? - ela fez bico.
- Por que sim...
- Você já viu o...
- O Ross? - ela assentiu. - Já sim, depois te conto tá? Me empresta seu carro?
- Sim, beijos, cuidado!
- Ok, beijo. - beijei sua bochecha e peguei minhas coisas, novamente saindo da boate.
O carro da Rydel não estava tão longe, mas ainda teria que passar pelo Ross.
- Onde você estava?
- Fui pegar minhas coisas. - disse grossa.
- Por que você veio com uma roupa tão curta? - ele olhou para as roupas em minha mão.
- Por que eu quis. - novamente, fui grossa.
- Ah é? E se um garoto qualquer dá em cima de você?
- E você acha que não aconteceu Ross?
Ele ficou quieto, provavelmente pela cabeça dele se passou mil coisas.
- Mas não, eu não quis ficar com nenhum deles, por que nenhum deles era você, nenhum deles era o babaca que eu amo, o idiota que faz de tudo pra eu sorrir, nenhum deles, eu amava. - segurei as lágrimas, porra de TPM.
- Desculpa tá Niina...?
- Olha Ross, eu só te desculpo por que te amo, muito, mas desculpas não concerta tudo tá?
Ele assentiu e me puxou pela cintura.
- Eu te amo mais baixinha. - sorri fraco e o beijei.
Entramos no carro, eu fui dirigindo, por estar menos cansada, quer dizer, sei lá.
Chegamos rápido na minha casa, entramos em silêncio e subimos para meu quarto, nem deu tempo de pensar e o telefone tocou.
- Alô?
- Filha?
- Oi mãe... O que foi?
- Niina, por favor, venham pro hospital?! - sua voz estavam embargada.
- O que aconteceu?
- Não sei meu amor, só vem, liga pra sua irmã.
- Ok, vou ligar, já estamos indo!
- Ok, beijo.
Desliguei a chamada e disquei o número da Lilly.
- Amor, fala pra Lilly vir pra casa, precisamos ir pro hospital, por favor. - eu disse rápido para Ross.
Ele pegou o telefone e sentou na minha cama, ouvi apenas algumas palavras, mas não prestei muita atenção, por que eu estava colocando uma roupa mais quente, e prendendo o cabelo.
- Ela já está vindo. - ele segurou meus pulsos. - Se acalma, fazer tudo correndo, não adianta de nada.
Respirei fundo, fechando meus olhos.
- Eu sei... Acho melhor você ligar pra sua mãe, sei lá.
- Ok.
- Tem roupa sua na última gaveta ali. - apontei para uma parte do meu guarda-roupa.
Me dirigi ao quarto da Lilly, peguei um moletom pra ela e tênis e deixei na sala, ouvi a buzina, nossa, rápidos.
Abri a porta e ela voou para dentro.
- O que aconteceu? - ela perguntou pegando a roupa e indo ao banheiro.
Fui atrás dela.
- Oi Riker. - sorri. - Bem, mamãe não disse, só mandou irmos pra lá. - eu disse na porta.
- Ok. - ela destrancou a porta. - Vamos?
Assenti.
Peguei meu celular e a chave de casa, tranquei tudo e corri para o carro.
Riker foi dirigindo, de cinco em cinco minutos eu olhava o celular, vendo a hora e se tinha alguma mensagem da minha mãe.
A cada segundo que íamos chegando mais perto do hospital, meu coração ia se apertando mais, minha garganta fechava, as lágrimas teimavam em cair.
Riker estacionou, pulei do carro e fui voando ao andar onde eu já sabia que Lucas estava.
Encontrei minha mãe em prantos e meu pai tentando consola-la, mas não ajudando muito, por que também chorava à beça.
Apenas me ajoelhei ao lado deles, os abraçando.
- Niina... - meu pai sussurrou.
- Não precisa dizer nada... Eu já sei... - suspirei, tentando ser forte, por eles.
- Por que Niina? Me explica? Por que o Lucas? Ele era tão pequeno...
- Eu sei mãe... Eu sei... - sentei do seu lado, meu pai se levantou e foi ao banheiro.
Lilly apareceu no fim do corredor, com os meninos atrás.
Ela correu até nós, com os olhos transbordando.
- Mamãe, seja forte! - nos abramos. - Lucas estará lá em cima, olhando para nós, cuidando de nós.
Minha mãe assentiu e nos abraçou.
- Eu amo vocês... - ela beijou a testa de cada uma. - Ele não sofrerá mais né?
- Sim mãe. - nos abraçamos, todos, minha mãe, eu, Lilly, Riker e Ross.


