sábado, 19 de setembro de 2015

Capítulo 7 - Lilly.

Niina ON
Eu não estava nada bem. Estava tremendo de medo e nervoso. Apertei, nervosamente, a mão do Ross, que passava de leve o dedo na minha.
Eu mal consegui comer, mas tive que me acalmar, pra não ter um ataque. Afinal, quem não se desespera após uma noticia como essa?
Pedro não estava entendo nada. E por falar em Pedro, o aniversário dele está chegando.
Todos conseguimos comer, sem mais surpresas. Consegui me acalmar, mas não consegui comer muito. O apetite sumiu instantaneamente.
Terminei de comer, conversei um pouco e chamei o Ross para ir embora. Apesar de estar mais calma, eu ainda estava em choque com tudo.
Levantei, me despedi de todos na mesa e sai abraçada com o Ross.
Olhei no relógio. Não era tão tarde quanto pensávamos...
O caminho de volta pra casa foi bem mais rápido e nem um pouco silencioso.
Assim que chegamos, ouvi Cristal latindo. Eu esqueci de dar comida pra ela!
Tirei os saltos, os deixei na sala e corri para os fundos. Cristal latia que nem doida, pulando pra lá e pra cá.
- Tadinha da minha princesa! - a peguei no colo. - A mamãe esqueceu de dar comida, né? - fiz um carinho em sua cabeça.
A coloquei no chão, abri o pacote de ração e coloquei no potinho dela.
Verifiquei se tinha água e voltei pra dentro, deixando a porta que dava para os fundos aberta, assim ela poderia entrar.
- Niina? - ouvi Lilly me chamar.
- Oi?
- Podemos conversar? - ela estava pálida. O que será que está acontecendo com a minha irmã?
- Claro...
Subimos juntas.
Os garotos estavam jogando video-game, o Pedro mais pulava dando gritinhos do que jogava.
Adentramos o quarto, em que eu estava com Ross, e ela logo se jogou na cama.
- Ok, já pode contar. - me dirigi ao banheiro, soltando meu cabelo.
- Eu vou falar que nem a vó, ok? Sem rodeios...
- Você está com câncer? - perguntei desesperada, saindo do banheiro.
- Não! - ela começou a rir. Suspirei aliviada e a acompanhei. - Ok... Você lembra que eu estava passando mal, né? Aliás, ainda estou... - neguei, ela não me conta mais nada. - Enfim... Eu fui ao hospital ver o que era. Fiz vários exames e um deles revelou que... Que eu estou... - ela colocou as mãos na barriga.
Calma... Ou a minha imaginação está me enganando... Ou...  ELA TÁ GRÁVIDA?
- Eu vou ser... Tia?
Ela assentiu, sorrindo e chorando.
- Meu Deus Lilly!! – disse eufórica - O Riker já sabe? Ele vai ficar tão feliz!
- Shhh! Não, ele não sabe!
- Você tem que contar! Ele vai amar a notícia!!
- E se ele não gostar?
- Não existe essa chance Lilly! Para de bobeira!
Ela me abraçou. Como eu sentia falta da minha irmã...
Ficamos alguns minutos deitadas, olhando para o teto e imaginando como essa criança seria. Imaginamos os nomes, a cor dos olhos e dos cabelos...
@NiinaSmith "Te amo vagabunda ♥💎"
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- Essa criança vai ser perfeita! - sorri, passando a mão em sua barriga.
- Não mais que o Pedro! - ela riu.
- Ah... Sei lá... - me levantei. - Acho melhor você contar o quanto antes pro Riker! Senão ele vai acabar achando que você queria esconder dele.
- Eu sei! - ela me abraçou. – Mas, agora eu vou me trocar, por que esse vestido está me apertando.
- Ok. - sorri, me levantando também.
Tirei o vestido, coloquei meu pijama curto, prendi meu cabelo num coque, peguei o celular e desci. Enquanto estava descendo, ouvi Pedro rir e Ross dizer "cuidado pra ela não te morder".
Assim que Cristal me ouviu descer, ela subiu as escadas correndo, e pulou nas minhas pernas.
- Oi. - a peguei no colo, ela estava bem animada.
A coloquei ao lado do Pedro, que a puxava incansavelmente. Ele puxava as orelhas dela, a apertava e ela nem ligava.
Me dirigi para a cozinha, tranquei a porta dos fundos e peguei um copo d'Água.
Sentei no sofá, vendo Riker e Ross jogando Assassin's Creed.
Como conseguem ver todo esse sangue e não esboçar reação? É muito estranho, porque eles ficam vidrados na tela da TV, vibrando a cada morte virtual!
Garotos... Adultos por fora, crianças por dentro...  
Coloquei Cristal no meu colo e Pedro pulou no sofá, puxando a cadelinha.
Os meninos gritavam com o jogo, meu Deus, que infantilidade.
- Mamãe!! - Pedro puxou minha camiseta.
- Que foi?
- Cadê a tia Lilly?
- Lá em cima, ela foi dormir.
- Posso ir lá?
- Não, ela deve estar dormindo.
- A tia Lilly nunca dorme cedo. - ele cruzou os braços.
- Não! Você que vai dormir! Vamos. - o peguei no colo.
- NÃO QUELO!! - ele gritou rindo.
- Não tem o que querer! Vamos! Seu pai também está indo.
- Estou? - ele perguntou franzindo o cenho.
- Sim, está! – respondi o olhando firme - Vamos Ross!
- Dois minutos...? – disse ainda vidrado no jogo.
- Até eu terminar de dar banho no Pedro! E você também Riker!
- Sim mamãe. - ele brincou.
Mostrei a língua e subi.
- Mamãe? - Pedro me chamou. - A tia Lilly tá bem?
- Sim Pê... Ela está bem. Por que?
- Plo que o papai e o tio Rikler estavam falando que a tia Lilly tava passando mal... Ai o papai falou que ela podia ter um bebê na barriga.
Arregalei os olhos, será que o Riker já desconfia?
- Mamãe? - ele me chamou de novo.
- Desculpa Pedro... Mas a mamãe não sabe de nada. - sorri nervosa.
- Tá. - ele sorriu, mexendo no meu cabelo.
@NiinaSmith "Amo só um pouco esse bebê ♥"
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(...)
Acordei com os raios de sol tocando levemente meu rosto. Como é bom acordar assim...
Sorri, sem nem abrir os olhos.
Senti um beijo molhado na minha bochecha.
Sorri mais ainda.
- Bom dia. - abri os olhos devagar, avistando Pedro.
- Bom dia mamãe! - Pedro sorria abertamente.
- Bom dia príncipe. - beijei suas bochechas.
Cristal estava tentando pular no meu colo.
- Bom dia pequena! - a peguei no colo.
- Mamãe! Fome!! - Pedro apontou para a própria barriga.
Dei uma risada alta e o peguei no colo, o amassando num abraço.
- Ai mamãe. - ele reclamou.
- Que foi bebê?
- Machuca! - ele fez bico.
- Desculpa. - beijei sua bochecha.
Levantei e descemos.
Pedro estava perguntando quando íamos embora, mas nem eu sabia. Por mim, não iríamos embora nunca mais, porém, tem minha faculdade e A&A do Ross.
- Mamãe! - Pedro reclamou por eu não estar ouvido o que ele falava.
- Desculpa meu amor, a mamãe estava pensando aqui.
- Vuxe tava pensando em que?
- Na vida meu amor. - sorri. - Vai descendo, a mamãe tem que falar com a tia Lilly.
- Tá. - o coloquei no chão e ele desceu correndo.
Sorri. Ele é tão lindo... É a réplica do Ross.
Bati na porta do quarto em que Riker e Lilly estavam. Lilly gritou um "entra!".
Abri a porta e sorri, ela estava penteando o cabelo.
- Bom dia mana. - me joguei na cama.
- Bom dia. - ela sorriu. - A que devo a honra de sua presença?
- Vim aqui te perguntar se você já falou com o Riker. - apontei para sua barriga.
- Ainda não! Tive pouco tempo. - ela sorriu culpada.
- Lilly! - não precisava dizer nada, meu olhar já dizia.
- Eu sei Niina... Mas imagina se fosse você!!!! Você enrolaria um monte pra contar pro Ross.
- Ok, ok, você tem até hoje à noite! Se você não contar... Eu mesma conto!
- Ok. - ela suspirou.
Abri a porta e saímos. Desci as escadas quase correndo, estava todo mundo na mesa, conversando e rindo.
Sentei ao lado do Pedro, que enfiava uma torrada inteira na boca.
- Assim você vai acabar engasgando Pedro!
- Engagando?
- Engasgando! - o corrigi. Puxei a torrada de sua boca e cortei um pedaço.
- Tá mamãe... - ele fez bico e coloquei a torrada na boca.
Peguei um copo e coloquei suco.
Ross ajudava Pedro a alcançar os bolos. Eu ria de suas tentativas falhas de alcançá-los.
Lilly estava verde, mal conseguia olhar as comidas. Tenho que admitir que eu também não estava com muita fome, mas comi.
Meu avô chamou Pedro para ver alguma coisa lá fora e também prometeu que o levaria para andar de cavalo, coisa que eu não tinha boas lembranças.
Lilly subiu rapidinho. Combinei com minha mãe e minha avó que iríamos embora logo depois do almoço, assim chegaríamos à noite e ainda poderíamos conversar com a família Lynch, que está meio desatualizada...
Nos sentamos no sofá, assistindo qualquer canal sobre culinária. Era hilário minha avó tentando pega as receitas, enquanto os garotos faziam bagunça.
Lilly On
Sai da mesa tão rápido quanto me sentei. Aquele monte de comida estava me embrulhando o estômago. Me arrepiei só de imaginar aquilo entrando e formando um bolo... ECA!
Se eu ficasse mais dois segundos ali, eu vomitaria em cima de todo mundo.
Niina já tinha notado tudo, seu olhar a denunciava. Tomei um copo de suco e dei um desculpa qualquer para sair da mesa.
Notei quando Riker levantou da mesa e veio atrás de mim, expressando preocupação no olhar.
No momento em que os olhos dele se encontraram com os meus, em uma expressão de dúvida quase suplicante, criei coragem para lhe contar sobre a gravidez. Mas, em um momento de clareza súbita, essa coragem se esvaiu, antes mesmo de eu abrir a boca.
- Sim Riker, estou ótima. - sorri forçado.
- Não está Lilly! Eu sei que você não está! Você está passando mal há dias, mal toca na comida e quando toca, parece que um dinossauro te possuiu. Sério Lilly... Até parece que você está...
- O que? - meus olhos estavam marejados. - Parece que eu estou o que Riker?
- Parece que você está... - ele desviou o olhar.
- Grávida? Parece que eu estou grávida? - perguntei derramando lágrimas. - E se eu estivesse Riker?
- Lilly... O que você...?
- E se eu estivesse grávida Riker? - perguntei, o cortando. Ele odeia quando eu faço isso.
- Eu... Eu não sei Lilly! O que você quer dizer com isso? - ele estava preocupado.
- Não vou te contar detalhes, mas saiba que eu te amo, e não fiz isso por interesse, simplesmente... Aconteceu...
- Lilly, você está me assustando.
- Riker, eu estou... Estou grávida... - falei baixinho, derramando algumas lágrimas, eu estava com medo da reação dele.
- Lilly... - ele estava boquiaberto, intercalando seu olhar do meu rosto para minha barriga. - Desde quando você sabe?
- Desde segunda. Eu estava passando muito mal e comprei um teste. Lembra que você tinha dito que eu parecia grávida, com desejos e enjôos? Fiquei com a pulga atrás da orelha e fiz. - me acalmei.
Ele ainda estava perplexo. E não dizia nada, o que me deixava aflita. Eu não sabia se ele estava com raiva de mim, ou com medo, ou feliz... Eu não sabia... Até por que ainda não sei ler mentes.
- Riker...
- Lilly! Meu Deus! Lilly! - ele me cortou. - Lilly que grande porcaria! Meu Deus! - ele passou as mãos no cabelo com força.
- Riker... Nem pense numa coisa dessas! É um feto indefeso! Não podemos...
- Abortá-lo? Tá louca Lilly? Nem por um segundo isso passou pela minha cabeça! Nunca! - ele afirmou. - Isso foi um erro? Eu não sei... Mas... Puta que pariu que erro mais perfeito. - ele me puxou para um beijo.
Era calmo, terno e apaixonado. Aposto que parecíamos um casal fofo, coisa que não somos nem de longe.
Caralho, como eu amo esse menino.

Capítulo 6 - Do it again.

Passei a tarde inteira ignorando os pedidos de desculpa do Ross. Eu estava de bom humor, e ele não ia conseguir acabar com isso.
Fiquei brincando com Pedro e jogando no celular. Ele  ficava me atrapalhando o tempo todo.
- Para Pedro!! Deixa a mamãe jogar! - fiz cócegas nele.
- Mãe!! Não!! - ele ria que nem doido.
Dei um beijo na bochecha dele.
Senti meu celular tremer em cima da minha perna.
Despertador. Tenho que me arrumar.
- Vamos príncipe?
- Aonde mamãe?
- Nós temos que nos arrumar. Você lembra do jantar com a vovó?
- Ah... - ele fez bico.
- Não fica assim meu amor, vai ser legal. Prometo.
Ele continuou com bico e braço cruzado.
O peguei no colo e ele começou a gritar desesperadamente.
- Pedro! - segurei seus braços. – Eu posso até estar de bom humor, mas já chega! Pare com essa birra já!!
- Tá bom! - ele cruzou os braços.
- Então ótimo amor, põe um sorriso no rosto vamos.
Subi as escadas com Pedro perguntando, inconsolada e repetidamente, se tinha que ir mesmo. Ele preferia ficar assistindo desenho em casa.
Não respondi, apenas o coloquei na cama e tirei sua roupa.
- Tem que tomar banho?
- Tem Pedro! Nós vamos chegar tarde e você já vai estar cansado, vai dormir fedido?
- Tá. - ele marchou para o banheiro.
Abri o registro e ajudei Pedro a alcançar o sabonete para se lavar.
- Mamãe? - ele me chamou. - Você e o papai bligalam? - ele perguntou, com aquela carinha de confusão.
- Ah meu amor... Você lembra do amigo da mamãe, o Matheus? - ele assentiu. - Então... O papai não gostou muito dele,  mas o Matheus é amigo da mamãe, e a mamãe ficou brava. Só isso. - sorri.
- Tá bom...- ele respondeu olhando para o chão, enquanto eu enxaguava o cabelo dele.
Ross ON.
Estava entrando no quarto, quando ouvi a Niina conversando com o Pedro no banheiro.
Juro que eu não queria ouvir a conversa, mas era praticamente impossível não o fazer.

Ela ficou “só brava”? Meu Deus, ela ficou foi puta ao extremo.
Me joguei na cama, suspirando alto e passando as mãos entre os cabelos. Eu estava com sono. Não consegui pregar o olho noite passada, de tanta raiva. Raiva da Niina, do Matheus, do ciúmes e de todo o resto.
Fiquei encarando o teto, até eles saírem do banheiro.
Pedro estava falando sobre tudo, eu nunca o vi tão animado assim.
Observei cada movimento da Niina, ela estava feliz, o que me fez sorrir também.
Ela parecia muito entretida no que Pedro falava, ou talvez não queria prestar atenção em mim.

Segui cada passo dela. Ela fazia tudo delicadamente e com um sorriso no rosto.
Ela vestiu Pedro e foi se maquiar.
- Papai! - Pedro pulou na cama. - Posso jogar no seu celular?? - ele fez cara de anjo.
- Pode. - tirei o celular do bolso e coloquei a senha.
- Cade meu jogo? - ele perguntou mudando de página várias vezes.
- Tá aí Pedro. Procura que você acha.
Ele sentou e encostou na cabeceira da cama. Niina estava no banheiro, com a porta aberta, se maquiando e cantarolando uma música qualquer.
Ela parecia tão indefesa, fofa e incrível... Ela era tão apaixonante... Tão... Ah esquece.
- Você não vai se arrumar não? - ela apareceu, já trocada e com as mãos na cintura.
- Já vou, já vou.
Levantei e fui pro banheiro.
Tomei um banho rápido e lavei o cabelo.
Me troquei em dois minutos. Vesti uma roupa "simples", mas formal.
Analisei a roupa da Niina.
Um vestido rosa até o joelho, com um cinto dourado e sapatos rosa brilhante.
Ela estava sorrindo para o celular. Não tentei descobrir quem ou o que era, senão ela ficaria mais brava ainda.
- Vamos? - perguntei pegando Pedro no colo.
Ela levantou e se calçou.

Pedro ainda jogava aquele joguinho idiota.
Eu desci na frente, enquanto Niina se olhava, novamente, no espelho.
- Cade a Niina? - Lilly perguntou, enquanto nos esperava agarrada com o Riker.
- Tá lá em cima. - apontei para as escadas, no exato segundo em que ela descia.
Cada degrau que ela pisava, parecia em câmera lenta. Ela estava linda demais.
Voltei minha atenção para cada detalhe. Meu Deus, eu tenho em mãos, a mulher mais linda do mundo. Obrigado Jesus!
- Eu nem vou te elogiar, senão sua auto estima vai lá pro espaço. - Lilly disse, o que fez Niina rir e mostrar sua arcada perfeita.
Que gay.
- Vamos logo! Eles vão  nos matar se atrasarmos mais! - Riker pegou na mão da Lilly e a puxou para fora de casa.
Saímos todos. Eu fui dirigindo, por que o carro é meu.
Niina foi no passageiro, mas ficou quieta o caminho todo, encarando a estrada como se tal fosse muito interessante.

Riker e Lilly brincavam com Pedro no banco de trás. O rádio tocava uma música qualquer.
E o silêncio perdurava entre eu e Niina, até que decidi quebrar um pouco.
- Você tá muito linda amor... - disse sem tirar os olhos da estrada.
- Obrigada... - a encarei, ela estava corada.
Achei que ela fosse me elogiar de volta, mas o silêncio prevaleceu novamente. Até os três que estavam lá atrás aquietaram.
Fomos, praticamente, o  caminho todo em silêncio, apenas Lilly e Niina trocaram algumas palavras.
De repente, de maneira inesperada...
- É... Então... Quando a gente vai pra Miami? - ela quebrou o silêncio.
- Não sei...
- Ahn... Nós também temos que resolver... Muitas coisas ainda... - ela continuou meio sem jeito.
- Nós podemos colocar o Pedro na creche se você quiser.
- Ah! Seria muito bom... - ela concordou.
Alguns poucos instantes se passaram e o silêncio retornou.
Estávamos sem jeito pra conversar.Como assim?
O resto do caminho fomos em silêncio.

Chegamos no restaurante. Estacionei perto da porta, Riker pegou o Pedro e entramos.
Já tinha uma mesa reservada, cheia de gente rindo e conversando.
Niina entrou e pegou Pedro no colo. Ela ficou mais perto de mim, provavelmente para me apresentar a seus tios.

E olha que oportuno, o Matheus estava lá. 
Agora eu podia simplesmente esfregar na cara dele que a Niina é minha namorada.
Tive que apertar várias mãos e dar vários abraços, até finalmente poder me sentar.
Cada um estava com um cardápio, escolhendo suas comidas. Assim que terminamos de pedir, todo mundo voltou a conversar.
Fiz um sinal, que eu tinha combinado, para Lilly. Ela assentiu.
- Niina, vem comigo no banheiro? - ela perguntou se levantando.
- Por que? - ela questionou confusa.
- Probleminhas com a maquiagem, por favor.
- Tá. - ela revirou os olhos e levantou.
Dei um chute de leve no pé do Riker, que entendeu, rapidamente, o recado. Logo nos levantamos, deixando a mesa confusa, mas ninguém pareceu se importar tanto.
Já tínhamos falado com o gerente do restaurante, então estava ok.
Montamos o que precisávamos e esperamos as duas saírem do banheiro. Olhei no celular, já fazia 15 minutos que tínhamos subido no palco e nada das meninas voltarem.
Mandei uma mensagem para Lilly, mas ela não me respondeu.
Será que morreram lá no banheiro?
Eu já estava suando frio. Podia sentir o suor escorrendo pela nuca e minhas mãos mal conseguiam segurar o violão, de tão molhadas.
- Cadê elas? - Riker perguntou.
- Sei lá... Acho que morreram no banheiro.- falei nervoso.
- Nem brinca... A Lilly deve ter passado mal.
- Por que?
- Ela tá passando mal pra cacete esses dias. - ele deu de ombros. - Olha elas ali. - ele apontou para as duas, Lilly estava rindo de alguma coisa que Niina falou.
- Amor? - Niina ficou procurando por todo o lugar, até pousar os olhos no palco. - Você sabe que eu te amo... Sempre tem aquele ciúmes... - notei o Matheus respirar fundo quando eu disse isso - Mas me desculpe, eu acredito no seu amor. Espero que você goste dessa música.

ps: aconselho vocês a colocarem a música! Vai lendo com calma ;)

Do it again

There you are standing with all your friends
So I'll wait till you're alone again
And the minutes feel like eternity

All these words buried inside my heart
Every step feels like the hardest part
But the last six feet are gonna kill me

So just take this chance
I've got it all planed

I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man
And tomorrow we can do it again

(Tomorrow we can do it again)

If I could give you the world tonight
Then I would and still give you all my time
And I'd be rich 'cause love is everything

So just take this chance
I've got it all planed

I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man
And tomorrow we can do it again

Let's take this moment
It's ours to own it
So come with me don't let it go to waste
No you don't wanna
M-miss out on us
I'm telling you regrets don't fade away

I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand

We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man
And tomorrow we can do it again

I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man (I'll pick you up at eight, pick you up at eight)
And give you all I can (I'll pick you up at eight)
And tomorrow we can do it again



- Quando digo que te amo, não é por força de hábito, é só pra te lembrar que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E eu sei que ser feliz não se resume apenas em momento bons, mas também em momentos de brigas, de discussões. Porém tudo vale a pena, enquanto nós nos amarmos. E eu sei que têm muitas coisas que você não gosta em mim, assim como tem coisas que eu não suporto em você, mas eu sei que o amor reina entre nós. - ela estava chorando copiosamente. – Eu também se que já lhe fiz esse pedido uma vez, mas não custa reforçar, né? - dei uma leve olhada para o Matheus, ele estava quietinho. - Eu te amo, com todas as letras, palavras e pronúncias, em todas as línguas e sotaques, em todos os sentidos e jeitos, com todas as circunstâncias e motivos. Simplesmente te amo Niina. - Lilly estava rindo da irmã, que tremia e chorava. Aposto que ela estava me xingando mentalmente.
Deixei o violão num canto e desci do palco, ficando frente a frente com Niina. A maquiagem dela já estava toda borrada e ela soluçava forte.
- Niina... Você aceita casar comigo?
Ela ficou quieta por alguns segundos, o que gelou a minha espinha. De rabo de olho, notei um sorriso sacana se formar no rosto de Matheus. Sorriso de quem acha que ganhou. Que garoto mais impertinente!
Então, de repente, o ressoar da voz da Niina, fez com que eu me voltasse para ela, novamente.
- Ross, palavras não são capasses de expressar o que eu sinto por você. Eu simplesmente te amo, de uma forma que... Eu não consigo controlar, é muito mais forte que eu. Toda vez que eu simplesmente penso em me separar de você, meu coração dói e eu só me imagino morrendo. - ela deu um sorriso, por baixo das lágrimas. - É claro que eu aceito me casar com você! Pode me perguntar isso cinco bilhões de vezes e a minha resposta vai ser a mesma. -  e, então, ela finalmente me beijou. Não um beijo qualquer, mas diferente, quente e cheio de saudade.
Todo mundo começou a gritar, o que fez Niina rir e nos separar.
Eu não resisti, tive que olhar para o Matheus. Ele estava boquiaberto. E sério. O sorrisinho sacana, que estava estampado no rosto dele, há poucos minutos, deu lugar à uma expressão de decepção total. Também pude notar o sorriso de malgrado, quando o pessoal da mesa comemorou. Talvez ele cogitava a possibilidade da Niina negar o pedido, mesmo que, no fundo, ele soubesse que ela não o faria. Coitado!
Olhei diretamente para ele, e devolvi o sorriso sacana, com prazer inigualável!
Senti a Niina pegar na minha mão, o que me fez voltar a atenção para ela. Ela me puxou, e fomos nos sentar. Pedro estava no colo da mãe da Niina.
Niina sorria muito, e em momento nenhum soltou minha mão.
- Uhum! - a avó da Niina levantou, batendo de leve na taça, com o garfo. - Gostaria da atenção de todos. - todo mundo se voltou a ela. - Esse jantar não foi promovido sem motivo, eu tinha um objetivo, juntando todos os meus filhos, netos, cunhados e também amigos. - Niina me olhou apreensiva. Apertei sua mão carinhosamente, como se dissesse “vai ficar tudo bem”. - Bem, como vocês sabem, eu não enrolo para contar as coisas. Eu sei que será um choque pra vocês, mas juro que não é nada demais. - todo mundo sorriu nervoso. - Como vocês sabem, eu tenho vários problemas de saúde, então tenho que sempre monitorar. E num desses exames de rotina, eu descobri que estou com... Leucemia. – todos se entreolharam, chocados. Niina me olhou novamente, mas, dessa vez, um olhar desesperado. Seus olhos já estavam cheios de lágrimas.
A abracei. Ela tremia, e eu a entendo. O medo de perder a avó, uma pessoa tão querida, medo de sua mãe entrar em depressão por isso, medo do sofrimento de sua avó, tudo isso veio sobre ela como uma bomba! Coisas demais pra ela se preocupar.
- Vai ficar tudo bem baixinha... - beijei seus cabelos, que estavam com um cheiro incrível de frutas vermelhas, e a abracei.
Nesse momento, tudo o que eu queria era sumir com todos os problemas, mas eu não podia fazer isso. Eu só podia confortá-la... E ama-la mais do que nunca...