Niina ON
Eu não estava nada bem. Estava tremendo de medo e nervoso. Apertei, nervosamente, a mão do Ross, que passava de leve o dedo na minha.
Eu mal consegui comer, mas tive que me acalmar, pra não ter um ataque. Afinal, quem não se desespera após uma noticia como essa?
Pedro não estava entendo nada. E por falar em Pedro, o aniversário dele está chegando.
Todos conseguimos comer, sem mais surpresas. Consegui me acalmar, mas não consegui comer muito. O apetite sumiu instantaneamente.
Terminei de comer, conversei um pouco e chamei o Ross para ir embora. Apesar de estar mais calma, eu ainda estava em choque com tudo.
Levantei, me despedi de todos na mesa e sai abraçada com o Ross.
Olhei no relógio. Não era tão tarde quanto pensávamos...
O caminho de volta pra casa foi bem mais rápido e nem um pouco silencioso.
Assim que chegamos, ouvi Cristal latindo. Eu esqueci de dar comida pra ela!
Tirei os saltos, os deixei na sala e corri para os fundos. Cristal latia que nem doida, pulando pra lá e pra cá.
- Tadinha da minha princesa! - a peguei no colo. - A mamãe esqueceu de dar comida, né? - fiz um carinho em sua cabeça.
A coloquei no chão, abri o pacote de ração e coloquei no potinho dela.
Verifiquei se tinha água e voltei pra dentro, deixando a porta que dava para os fundos aberta, assim ela poderia entrar.
- Niina? - ouvi Lilly me chamar.
- Oi?
- Podemos conversar? - ela estava pálida. O que será que está acontecendo com a minha irmã?
- Claro...
Subimos juntas.
Os garotos estavam jogando video-game, o Pedro mais pulava dando gritinhos do que jogava.
Adentramos o quarto, em que eu estava com Ross, e ela logo se jogou na cama.
- Ok, já pode contar. - me dirigi ao banheiro, soltando meu cabelo.
- Eu vou falar que nem a vó, ok? Sem rodeios...
- Você está com câncer? - perguntei desesperada, saindo do banheiro.
- Não! - ela começou a rir. Suspirei aliviada e a acompanhei. - Ok... Você lembra que eu estava passando mal, né? Aliás, ainda estou... - neguei, ela não me conta mais nada. - Enfim... Eu fui ao hospital ver o que era. Fiz vários exames e um deles revelou que... Que eu estou... - ela colocou as mãos na barriga.
Calma... Ou a minha imaginação está me enganando... Ou... ELA TÁ GRÁVIDA?
- Eu vou ser... Tia?
Ela assentiu, sorrindo e chorando.
- Meu Deus Lilly!! – disse eufórica - O Riker já sabe? Ele vai ficar tão feliz!
- Shhh! Não, ele não sabe!
- Você tem que contar! Ele vai amar a notícia!!
- E se ele não gostar?
- Não existe essa chance Lilly! Para de bobeira!
Ela me abraçou. Como eu sentia falta da minha irmã...
Ficamos alguns minutos deitadas, olhando para o teto e imaginando como essa criança seria. Imaginamos os nomes, a cor dos olhos e dos cabelos...
@NiinaSmith "Te amo vagabunda ♥💎"
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- Essa criança vai ser perfeita! - sorri, passando a mão em sua barriga.
- Não mais que o Pedro! - ela riu.
- Ah... Sei lá... - me levantei. - Acho melhor você contar o quanto antes pro Riker! Senão ele vai acabar achando que você queria esconder dele.
- Eu sei! - ela me abraçou. – Mas, agora eu vou me trocar, por que esse vestido está me apertando.
- Ok. - sorri, me levantando também.
Tirei o vestido, coloquei meu pijama curto, prendi meu cabelo num coque, peguei o celular e desci. Enquanto estava descendo, ouvi Pedro rir e Ross dizer "cuidado pra ela não te morder".
Assim que Cristal me ouviu descer, ela subiu as escadas correndo, e pulou nas minhas pernas.
- Oi. - a peguei no colo, ela estava bem animada.
A coloquei ao lado do Pedro, que a puxava incansavelmente. Ele puxava as orelhas dela, a apertava e ela nem ligava.
Me dirigi para a cozinha, tranquei a porta dos fundos e peguei um copo d'Água.
Sentei no sofá, vendo Riker e Ross jogando Assassin's Creed.
Como conseguem ver todo esse sangue e não esboçar reação? É muito estranho, porque eles ficam vidrados na tela da TV, vibrando a cada morte virtual!
Garotos... Adultos por fora, crianças por dentro...
Coloquei Cristal no meu colo e Pedro pulou no sofá, puxando a cadelinha.
Os meninos gritavam com o jogo, meu Deus, que infantilidade.
- Mamãe!! - Pedro puxou minha camiseta.
- Que foi?
- Cadê a tia Lilly?
- Lá em cima, ela foi dormir.
- Posso ir lá?
- Não, ela deve estar dormindo.
- A tia Lilly nunca dorme cedo. - ele cruzou os braços.
- Não! Você que vai dormir! Vamos. - o peguei no colo.
- NÃO QUELO!! - ele gritou rindo.
- Não tem o que querer! Vamos! Seu pai também está indo.
- Estou? - ele perguntou franzindo o cenho.
- Sim, está! – respondi o olhando firme - Vamos Ross!
- Dois minutos...? – disse ainda vidrado no jogo.
- Até eu terminar de dar banho no Pedro! E você também Riker!
- Sim mamãe. - ele brincou.
Mostrei a língua e subi.
- Mamãe? - Pedro me chamou. - A tia Lilly tá bem?
- Sim Pê... Ela está bem. Por que?
- Plo que o papai e o tio Rikler estavam falando que a tia Lilly tava passando mal... Ai o papai falou que ela podia ter um bebê na barriga.
Arregalei os olhos, será que o Riker já desconfia?
- Mamãe? - ele me chamou de novo.
- Desculpa Pedro... Mas a mamãe não sabe de nada. - sorri nervosa.
- Tá. - ele sorriu, mexendo no meu cabelo.
@NiinaSmith "Amo só um pouco esse bebê ♥"
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(...)
Acordei com os raios de sol tocando levemente meu rosto. Como é bom acordar assim...
Sorri, sem nem abrir os olhos.
Senti um beijo molhado na minha bochecha.
Sorri mais ainda.
- Bom dia. - abri os olhos devagar, avistando Pedro.
- Bom dia mamãe! - Pedro sorria abertamente.
- Bom dia príncipe. - beijei suas bochechas.
Cristal estava tentando pular no meu colo.
- Bom dia pequena! - a peguei no colo.
- Mamãe! Fome!! - Pedro apontou para a própria barriga.
Dei uma risada alta e o peguei no colo, o amassando num abraço.
- Ai mamãe. - ele reclamou.
- Que foi bebê?
- Machuca! - ele fez bico.
- Desculpa. - beijei sua bochecha.
Levantei e descemos.
Pedro estava perguntando quando íamos embora, mas nem eu sabia. Por mim, não iríamos embora nunca mais, porém, tem minha faculdade e A&A do Ross.
- Mamãe! - Pedro reclamou por eu não estar ouvido o que ele falava.
- Desculpa meu amor, a mamãe estava pensando aqui.
- Vuxe tava pensando em que?
- Na vida meu amor. - sorri. - Vai descendo, a mamãe tem que falar com a tia Lilly.
- Tá. - o coloquei no chão e ele desceu correndo.
Sorri. Ele é tão lindo... É a réplica do Ross.
Bati na porta do quarto em que Riker e Lilly estavam. Lilly gritou um "entra!".
Abri a porta e sorri, ela estava penteando o cabelo.
- Bom dia mana. - me joguei na cama.
- Bom dia. - ela sorriu. - A que devo a honra de sua presença?
- Vim aqui te perguntar se você já falou com o Riker. - apontei para sua barriga.
- Ainda não! Tive pouco tempo. - ela sorriu culpada.
- Lilly! - não precisava dizer nada, meu olhar já dizia.
- Eu sei Niina... Mas imagina se fosse você!!!! Você enrolaria um monte pra contar pro Ross.
- Ok, ok, você tem até hoje à noite! Se você não contar... Eu mesma conto!
- Ok. - ela suspirou.
Abri a porta e saímos. Desci as escadas quase correndo, estava todo mundo na mesa, conversando e rindo.
Sentei ao lado do Pedro, que enfiava uma torrada inteira na boca.
- Assim você vai acabar engasgando Pedro!
- Engagando?
- Engasgando! - o corrigi. Puxei a torrada de sua boca e cortei um pedaço.
- Tá mamãe... - ele fez bico e coloquei a torrada na boca.
Peguei um copo e coloquei suco.
Ross ajudava Pedro a alcançar os bolos. Eu ria de suas tentativas falhas de alcançá-los.
Lilly estava verde, mal conseguia olhar as comidas. Tenho que admitir que eu também não estava com muita fome, mas comi.
Meu avô chamou Pedro para ver alguma coisa lá fora e também prometeu que o levaria para andar de cavalo, coisa que eu não tinha boas lembranças.
Lilly subiu rapidinho. Combinei com minha mãe e minha avó que iríamos embora logo depois do almoço, assim chegaríamos à noite e ainda poderíamos conversar com a família Lynch, que está meio desatualizada...
Nos sentamos no sofá, assistindo qualquer canal sobre culinária. Era hilário minha avó tentando pega as receitas, enquanto os garotos faziam bagunça.
Lilly On
Sai da mesa tão rápido quanto me sentei. Aquele monte de comida estava me embrulhando o estômago. Me arrepiei só de imaginar aquilo entrando e formando um bolo... ECA!
Se eu ficasse mais dois segundos ali, eu vomitaria em cima de todo mundo.
Niina já tinha notado tudo, seu olhar a denunciava. Tomei um copo de suco e dei um desculpa qualquer para sair da mesa.
Notei quando Riker levantou da mesa e veio atrás de mim, expressando preocupação no olhar.
No momento em que os olhos dele se encontraram com os meus, em uma expressão de dúvida quase suplicante, criei coragem para lhe contar sobre a gravidez. Mas, em um momento de clareza súbita, essa coragem se esvaiu, antes mesmo de eu abrir a boca.
- Sim Riker, estou ótima. - sorri forçado.
- Não está Lilly! Eu sei que você não está! Você está passando mal há dias, mal toca na comida e quando toca, parece que um dinossauro te possuiu. Sério Lilly... Até parece que você está...
- O que? - meus olhos estavam marejados. - Parece que eu estou o que Riker?
- Parece que você está... - ele desviou o olhar.
- Grávida? Parece que eu estou grávida? - perguntei derramando lágrimas. - E se eu estivesse Riker?
- Lilly... O que você...?
- E se eu estivesse grávida Riker? - perguntei, o cortando. Ele odeia quando eu faço isso.
- Eu... Eu não sei Lilly! O que você quer dizer com isso? - ele estava preocupado.
- Não vou te contar detalhes, mas saiba que eu te amo, e não fiz isso por interesse, simplesmente... Aconteceu...
- Lilly, você está me assustando.
- Riker, eu estou... Estou grávida... - falei baixinho, derramando algumas lágrimas, eu estava com medo da reação dele.
- Lilly... - ele estava boquiaberto, intercalando seu olhar do meu rosto para minha barriga. - Desde quando você sabe?
- Desde segunda. Eu estava passando muito mal e comprei um teste. Lembra que você tinha dito que eu parecia grávida, com desejos e enjôos? Fiquei com a pulga atrás da orelha e fiz. - me acalmei.
Ele ainda estava perplexo. E não dizia nada, o que me deixava aflita. Eu não sabia se ele estava com raiva de mim, ou com medo, ou feliz... Eu não sabia... Até por que ainda não sei ler mentes.
- Riker...
- Lilly! Meu Deus! Lilly! - ele me cortou. - Lilly que grande porcaria! Meu Deus! - ele passou as mãos no cabelo com força.
- Riker... Nem pense numa coisa dessas! É um feto indefeso! Não podemos...
- Abortá-lo? Tá louca Lilly? Nem por um segundo isso passou pela minha cabeça! Nunca! - ele afirmou. - Isso foi um erro? Eu não sei... Mas... Puta que pariu que erro mais perfeito. - ele me puxou para um beijo.
Era calmo, terno e apaixonado. Aposto que parecíamos um casal fofo, coisa que não somos nem de longe.
Caralho, como eu amo esse menino.

