segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Capítulo 4 - Matheus.

Acordamos muito cedo e, como eu tinha previsto, meu avô quis fazer um churrasco. Obviamente, eu e as mulheres estávamos encarregadas de fazer o resto da comida.
Pedro ficava oscilando entre os grupos.

- Querida, eu convidei o Matheus. - minha avó disse enquanto cortava o tomate.

- Quê? - praticamente engasguei com minha saliva.
- Chamei o Matheus, ele disse que queria te ver. Tem algum problema?

- Não! Claro que não. - engoli seco, Ross vai ter que segurar o ciúme.

- Niina, depois eu preciso falar com você. - Lilly falou, discretamente, enquanto pegava uma faca.

- Depois a gente se fala então.
Eu fiquei preocupada com o que Lilly tinha a dizer... Será que ela está com alguma doença? Ou... Não Niina! Não é nada.
Balancei a cabeça, para afastar os pensamentos, e passei o tomate pra minha mãe, que temperava a salada.
- Mãe, eu vou me trocar, já volto. - lavei minhas mãos, peguei Pedro no colo e o levei pra cima.
Dei banho nele e o deixei todo cheiroso, afinal vai ter visita, né?
- Mamãe! - Pedro me chamou. - Posso descer? Quelo ficar com o papai!
- Pode! Mas cuidado, tá? Mamãe acabou de colocar essa roupa! Tá limpinha!
Ele assentiu e desceu feliz.
Amarrei meu cabelo num coque, me despi e entrei no chuveiro, o dia já estava bem quente.
Me troquei e penteei meu cabelo, fazendo uma trança.
Passei uma maquiagem básica e desci.
Assim que pisei no último degrau, ouvi a campainha.
- EU ATENDO! - gritei correndo em direção à porta.
Coloquei minha mão na maçaneta, respirei fundo e abri a porta.
- Niina?
- Matheus! - o abracei.
- Quanto tempo! - ele me abraçou de volta. - Você tá... Linda! - ele me analisou.
- Obrigada! Mas olha você! Nem parece que aquele menino magrelo com aparelho!
- Nem me lembre! - ele fez careta.
- Que educação a minha! Entra! - abri mais a porta.
Ele entrou e foi cumprimentar os outros.
Me dirigi ao quintal, procurando o Ross,  ele estava com Pedro no colo e conversando com meu avô.
- Ross! Vô posso roubá-lo um segundo?
- Claro. - ele sorriu.
- Ross! Minha avó chamou o Matheus, tá?
- Aquele que você era...?
- Sim! Aquele mesmo! Cuidado com suas brincadeiras, tá?
- Prometo. - ele sorriu e me selou.
Entrei novamente e  dei de cara com o  Matheus. Ele estava indo para o quintal.
- Você tá fugindo de mim, né?
- Não... - dei uma risadinha.
Enquanto retornava para a cozinha, senti minha espinha gelar....isso não vai dar certo!
- Como o Ross tá? - Lilly perguntou sem me olhar.
- Calmo... Por enquanto... - olhei pela janela, que dava pro quintal. Eles estavam conversando, até então pareciam de boa.
- Tá tudo pronto ai mãe?
- Sim, pega os refrigerantes! Lilly, pega o suco! - minha mãe equilibrava as panelas. - Mãe! Me ajuda! - demos risada, minha vó pegou uma panela.
- VOCÊS BEM QUE PUDIAM NOS AJUDAR, NÉ? - gritei colocando os três refrigerantes em cima da mesa. - Tem um monte de coisas lá no fogão! Vão seus folgados!
Voltei para a cozinha e peguei mais coisas.
- Niina?
- Oi? - me virei, era o Matheus.
- Parece que você está me evitando.
- Não Matt! Eu juro que sento perto de você! - sorri.
Ele saiu. Suspirei  baixo e voltei lá pra fora. Ross estava sentado de um lado e Matheus do outro, porra!
Se eu sentar do lado do Matheus, Ross me mata, mas se não sentar ao lado do Matheus, ele vai ficar bravo... Poxa, eu prometi!
E agora?!?
Fiquei olhando meio desesperada, sem saber o que fazer. Então notei que só eu estava em pé.
- Não vão sentar Niina? - minha mãe questionou.
- An?
- Senta Niina! - Matheus puxou a cadeira do seu lado.
Sorri forçado e me sentei. Senti Ross me fuzilar.
Droga!
Ross vai ficar bravo, já vi tudo.
Me servi, meio desconfortável, e olhei para Lilly, ela estava me julgando. Eu sabia disso. E eu sentia isso.
Olhei para meu prato, ainda me sentindo desconfortável, mas todo mundo já estava conversando, como se nada de diferente tivesse acontecido.
- E você Niina? - meu avô me questionou.
- Eu o que? - todo mundo riu da minha cara de boba.
- Você está trabalhando ou fazendo faculdade? - Matheus me respondeu.
- Ah! - sorri constrangida. - Eu ainda estou fazendo faculdade!
- De quê? - Matheus continuou a conversa.
- Cinema.
- Legal...
- E você?
- Estou tentando entrar numa faculdade, mas não aqui... Eu queria alguma coisa na Califórnia ou em Londres.
- Boa sorte pra você. - o empurrei de leve com o ombro.
- Obrigado... - ele baixou os olhos. - Mas minha mãe não acha uma boa ideia... Ela quer que eu continue aqui... Mas essa cidade é muito pequena...
- Entendo... Boa sorte então. - queria terminar o papo ali.
- Obrigado. Mas você tá morando aonde?
- Na Califórnia... Mas daqui alguns meses eu vou me mudar... Pra Miami.
- Por causa da faculdade ou... - ele apontou discreto para Ross.
- Sim, eu vou me casar com o Ross. - mostrei a aliança, quem sabe assim ele não entende que deve ficar longe.
- Parabéns à vocês.
- Obrigada. – sorri e comecei a me servir. - Mas e você... Tá namorando?
- Não... Nenhuma garota daqui parece se interessar pelos meus sonhos... Ou por mim. - ele deu de ombros.
- Você vai achar a garota certa. - tentei animá-lo.
- Acho que a única garota que já se interessou por mim, e pelos meus sonhos, foi você.
Engoli seco. Ah se o Ross escuta isso... Não quero nem pensar no que aconteceria!
- É... Mas você vai encontrar a garota certa... Eu juro.
- Ela já se foi faz tempo... - ele disse triste.
Tentei não continuar nossa conversa particular, me concentrei mais na conversa da mesa.
Pedro veio pro meu lado, por que ele não queria comer.
- Que foi pequeno?
- Mamãe! Mamãe! - ele esticou os bracinhos.
- O que foi? - perguntei o pegando no colo.
Ele enfiou o dedo na boca, abrindo-a.
- Tá doendu! - ele fez bico.
- Eu sei meu amor. - deitei sua cabeça.
Tadinho, tá nascendo dente.
- O que ele tem Niina? - minha avó perguntou.
- Tá nascendo dente...
- Tadinho! - minha avó passou a mão no cabelo dele. - Depois nós vamos na cidade comprar alguma coisa.
Assenti e continuei comendo, com Pedro no meu colo, toda hora choramingando.

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(...)
Quando terminamos de comer, Ross propôs para os homens/garotos jogarem uma partida de futebol. Meu avô não quis, dizendo que estava muito velho pra isso.
Arrumei um remédio para a dor do Pedro e ele foi dormir. O deixei na sala, qualquer coisa, tá mais perto do que no quarto.
- Niina, você vem na piscina?
- Vou. - tirei minha camiseta e depois o short, ficando de biquíni.
Senti alguém me olhando. Achei que fosse o Ross, mas quando vi quem era, senti minha espinha queimar. Era o Matheus.
Olhei de relance para o Ross, e não gostei do que vi. Ele estava encarando o Matheus com tanta raiva, que praticamente o metralhava.
- Vamos começar logo ou não? - Ross questionou pegando a bola.
- Quais vão ser os times? - Matheus perguntou se juntando à  rodinha.
- Eu e Matheus contra Ross e o sogrão. - Riker bateu nas costas do meu pai, que apenas balançou a cabeça.
Me sentei na beirada da piscina, amarrando meu cabelo num coque.
- Vocês não vêm vó? Mãe?
- Daqui a pouco! Aproveitem vocês. - minha mãe disse deitando numa das cadeiras de sol.
Finalmente entrei na água, estava boa.
Me afundei até a água ficar no pescoço, não estava muito afim de lavar o cabelo.

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@Pêe1 "Fiu fiu... E esses peitos??"
@VanLynch "Nossa, qual a necessidade de postar uma foto quase pelada? VADIA!"
Eu e Lilly paramos na outra beirada para assistir o jogo, que, até agora, parecia estar tudo bem.
Ficamos vários minutos assistindo o jogo. Surgiu uma leve competição entre Ross e Matheus, mas era bem de leve, juro.
- Tá quanto? - Lilly gritou.
- DOIS A UM! - Riker gritou sem tirar os olhos da bola.
- Joguinho chaaato. - prolonguei o "a".
- Tá mesmo... - Lilly deitou a cabeça no meu ombro.
Ross fez mais um gol em Matheus, o mesmo ficou todo bravo e bufando, mas não fez nada.
Ross e Matheus disputavam a bola, o jogo tava ficando chato demais, soltei meu cabelo e decidi nadar. Quando....
- ROSS! - ouvi alguém gritar.
Emergi rapidamente. Só deu tempo de ver Ross caído e uma rodinha se formando em sua volta.
Sai da água praticamente correndo.
- SAI DA FRENTE! - gritei desesperada. - Tá tudo bem amor? - perguntei me ajoelhando ao seu lado. Ele estava encolhido, com a mão no pé esquerdo.
- Não... Tá doendo muito...- ele disse com cara de dor.
- Vem por gelo. - o ajudei a levantar.
Matheus estava parado, olhando tudo, como se fosse uma "grande farsa”.
- O que você tá olhando? Você já machucou Ross, está de bom tamanho, né? Se não vai ajudar, sai da minha frente! - disse com raiva, o empurrando.
- Eu não fiz nada!
- Como não? Vocês estavam disputando a bola! SE NÃO SABE PERDER, NÃO JOGA! - gritei nervosa e puxei Ross pra dentro de casa, ele estava pulando num pé só.
O deixei no sofá e fui pegar gelo. Pedro estava começando a acordar.
Deixei o gelo com Ross e fechei a porta, os olhares me julgando estavam começando a me machucar seriamente.
- Ele é um idiota! Pra quê fazer isso?!
- Verdade... - me sentei no chão, segurando o gelo em seu pé.
Estranhei por não estar inchado, mas apenas vermelho... Vai ver só doeu o chute do Matheus...
- Vamos subir? Ai você fica com o pé esticado. - sugeri.
Ross se apoiou em mim, demoramos um pouco, mas subimos.
Tranquei a porta do quarto, assim ninguém me enche o saco.
Deitei Ross, coloquei uma almofada para ele apoiar o pé e fui me trocar, eu ainda estava meio molhada.
- O que você acha de irmos embora amanhã? - Ross perguntou.
- Eu não sei... Eu queria ficar mais tempo... Mas acho melhor irmos mesmo... Matheus não vai largar do meu pé. - me deitei do lado dele.

@NiinaSmith "Bebê ❤❤"
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Ouvi o choro do Pedro, coitado, até me esqueci dele.
- Já volto amor. - dei um selinho em Ross e desci.
Pedro estava sentado, chorando, com o dedinho na boca.
- Tá doendo amor?
- Mamãe! - ele levantou os braços, pedindo colo.
- Oh meu Deus... Nós vamos comprar um remédio pra você, tá? - o balancei.
- Niina? - me virei. Era o Matheus.
- O que você quer?
- Te explicar o que aconteceu... Eu não chutei ele!
- Então ele caiu sozinho por que quis?
- Sim!
- SEU IDIOTA! Você tá chamando meu namorado de mentiroso, na minha frente?
- Sim! Você não viu o que aconteceu! Nós estávamos mesmo disputando a bola, quando eu consegui tirar a bola dele, ele simplesmente caiu!
- Você quer que eu acredite Matheus? Eu já vi que você não gosta dele, ok? Você faria de tudo para machuca-lo.
- Mas se machuca-lo, machucaria você... Eu nunca o faria.
- Mas fez! Matheus, chega!
- Não Niina! Por favor! Você precisa acreditar! Eu não fiz nada! Eu juro!
- Matheus... Por favor!
- Niina! Por favor digo eu! O pé dele tá inchado por algum acaso? Eu estou descalço, como eu poderia machuca-lo tanto? Por favor Niina!
Agora os pontos estavam se ligando... Por que o pé dele não está inchado? E é verdade... Matheus está descalço, não dá pra fazer muita coisa sem machucar os próprios dedos.
- Tá Matheus! Não me interessa, eu me resolvo com o Ross. Mas eu só te peço uma coisa, para de dar em cima de mim! Eu estou noiva! A minha paixão por você passou! Acabou! - subi as escadas correndo, antes que ele pudesse me confundir mais.
- Mamãe! Dodói! - Pedro ia abrir o berreiro.
- Calma meu amor... Nós já vamos comprar o remédio, tá?
Abri a porta e me surpreendi com o que vi. Ross estava voltando do banheiro, andando normalmente!
- Seu pé não tava doendo? - questionei surpresa.
- Ah... O gelo... Já melhorou.
- Nossa, do jeito que você estava até parecia que tinha quebrado seu pé!
- Ah nem foi tanto Niina...
- Como não? Todo mundo achou que o Matheus tivesse decepado seu pé!
- Que exagerada você amor. - ele veio me beijar.
- Você estava mentindo! - afirmei.
- Quem disse isso? Tava doendo mesmo! Dei sorte de não ter quebrado.
- VOCÊ ESTAVA MENTINDO! - disse alterada - Pra que Lynch? Pra fazer isso com Matheus? Ele não te fez nada!
- Fiz isso pra proteger o que é meu!
- EU NÃO SOU OBJETO PRA SER SUA! E você deveria saber que eu te amava o bastante pra nem sonhar em ter algo com Matheus!
- Espera... Amava?
- Sim! Eu não sei o que eu estou sentindo por você! Que raiva! Você me fez brigar com Matheus por ciúmes seu! Que droga Lynch!
- Niina...
- Sem essa! Eu vou sair pra comprar remédio pro seu filho, ele sim está morrendo de dor! - bati a porta e desci.
Pedro não estava entendendo nada, coitado.
- Niina...
- Já volto Matheus! Depois a gente conversa!
Corri para o carro, não queria que ninguém me visse chorando.
- Mamãe...?
- Oi meu amor?!
- Vuxe tá cholando?
- Não meu amor! - sequei as lágrimas. - Eu te amo. - beijei sua testa.
- Também.
Me prendi e sai pisando fundo no acelerador. Quando sai pelos portões, meus ombros ficaram mais leve, como se todos os meus problemas tivessem ficado ali.