terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Capítulo 15 - He forget me...

Ele estava parado na porta, com olheiras e cara de cansaço.
- O que você quer Lynch? - rosnei.
- Niina eu... - ele entrou, estendeu sua mão até meu braço.
- Nem me toca. - eu disse nervosa, tirando meu braço de perto da sua mão.
- Eu estava bêbado, eu...
- Bebeu por que quis colega, ninguém te obrigou, você que começou a beber. - o cortei, estava com paciência zero.
- Niina me desculpa...
- Hm... - fiz cara de anjo, como se pensasse no assunto, talvez eu estivesse com cara de quem ia correr para o seu colo e enche-lo de beijos, por que Lilly estava "não! Por favor! Não!" - Não Lynch, não te desculpo. - dei um sorriso falso.
- Niina mais...
- SAI DAQUI LYNCH! - berrei nervosa. - NÃO TEMOS MAIS NENHUM RELACIONAMENTO! - o empurrei até a porta. - VAZA! - bati a porta em sua cara.
Escorreguei até o chão, segurando as lágrimas.
- Estupido... Estupido... - repeti várias vezes com raiva. - Estupido! Estupido! Estupido! - as lágrimas de raiva rolavam. - Idiota! Egoísta! Besta! - bati na porta com força.
- NIINA! CHEGA! - Lilly gritou.
Ela me puxou até meu quarto, eu me debatendo de raiva... Que vontade de sumir.
- CHEGA NIINA! VAI TOMAR UM BANHO! - Lilly gritou nervosa.
Bati a porta em sua cara, estava com raiva até da minha irmã...
Me joguei na minha cama, eu já não tinha nem forças para levantar, nem chorar, puxei meus bichinhos de pelúcia pra perto, me cobri e dormi.
(...)
Acordei com meu pai batendo na porta e me gritando.
- Vamos jantar Niina! - ele deu mais três batidas.
- Não quero! - eu disse com voz de sono.
- Vem logo! - ele disse nervoso.
Tirei meus bichinhos de cima de mim, lavei o rosto e desci, meu pai estava com cara de poucos amigos, quer dizer, nenhum amigo né?
- Eu tinha uma coisa boa a dizer para vocês, mas depois do Lilly me disse, essa coisa pode esperar. - meu pai decretou. - COMO ASSIM AQUELE CANALHA TE TRAIU NIINA? - ele esbravejou.
- Calma pai... - tentei falar.
- Calma? CALMA? Você está mesmo me pedindo calma Niina? Ele te traiu! Te traiu!
- Tá pai! Vão ficar me lembrando isso de cinco em cinco segundos? - perguntei nervosa. - Não foi nada demais, eu cansei de chorar, cansei de sofrer, cansei! Podemos esquecer? Você ir lá falar com ele não vai mudar o fato! Não vai muda-lo! - eu disse cansada.
Lilly e meu pai ficaram quietos.
- Ótimo! - me sentei.
Comemos em silêncio, as vezes, os sermões do meu pai me enchem o saco demais.
Lilly me olhava com reprovação, meu pai, com um olhar magoado e ofendido, mas pouco me importei, eles tem que entender que eu tenho 17 anos! 17! Já sei me cuidar, ou deveria.
Terminei de comer, coloquei as coisas na pia e disse sem paciência:
- Com licença. - girei meus calcanhares para as escadas, subi sem pressa.
Tomei um banho rápido e me joguei na minha cama.
O sono não vinha... Alcancei meu computador, entrei no Facebook, tinha umas mensagens de uma populares tipo “Niina, por que você não posta foto com o Ross? Terminaram? Hahahaha” fiz questão de responder:
Não preciso ficar postando foto pra vocês ficarem me stalkeando, amores, se eu estou ou não namorando com ele, é da minha conta! Não devo a nenhuma de vocês né? Então pra que ficam me cobrando satisfações? Eu não fico colocando pitaco naquilo que vocês postam, agradeceria se vocês parassem de me stalkear, tá feio! Tá ridículo! Beijo”.
Umas meninas ficaram tipo “Meu Deus arrasou” e outras, as populares, “não te stalkeio” uhum... Tá...
Maluh começou a me mandar mensagem sem parar, perguntando o que tinha acontecido, disse que lhe contava amanhã.
Não stalkeei ninguém, desliguei o computador e me deitei... Lembranças voltaram e encher minha cabeça, mesmo eu não querendo...
- Por que você me olha tanto? Não é por que eu sou bonita! - eu perguntei.
- Eu estou tentando entender, por que entre mil garotas, meu coração escolheu você... - Ross disse sorrindo.
- Por que, entre mil garotas, eu sou a certa pra você! - passei minha mão por seus cabelos.
- É... E eu sou o tipo errado que só você pode concertar…”
É... Talvez eu devia corrigi-lo, mas eu não consegui... Talvez seja muito trabalho pra mim...
“- Por que você olha tanto pro alto? - Ross perguntou brincalhão.
- Gosto de ver as nuvens... - dei de ombros.
- O que tem de mais nas nuvens? - ele perguntou curioso.
- Nada demais... Gosto de ver as formas que elas formam... Gosto de olha-las e pensar... - sorri. - E agora me dê uma explicação lógica... 
- Sobre...?
- Por que você era tão... - não completei a frase.
- Idiota?
- Pode ser...
- Talvez... Talvez eu estivesse com medo do amor, medo do estranho... De algo não conhecido... Gosto de ter controle das coisas, de não me desesperar... Talvez era isso... As bebidas, as vadias, eram coisas que eu conhecia muito bem e tinha total controle... Já você é toda esquentadinha, tenho que dar meu máximo por você... 
- E pelas vadias?
- Algumas eu tinha que pagar, as mais gostosas, outras era apenas dar uma piscadela, mostrar minha barriga... Era fácil...
- O que tem demais com sua barriga? - perguntei inocente.
Ele simplesmente levantou a camiseta, verdade, seu tanquinho era maravilhoso...
- Tá, já pode abaixar isso! - ri.
- É todo seu amor... Não se preocupe. - ele me puxou pela cintura, selando nossos lábios.
Esse acho que foi o dia que Ross estava mais fofo, ele me pegou em casa cedo, as 7h, me levou para um parque, onde passamos a tarde toda de um sábado entre risadas, brincadeiras de criança e beijos.
Foi um dos melhores, senão o melhor, dia da minha vida!
- Niina, por que você decidiu ficar comigo?
- Sei lá... Por que você fica sempre me fazendo perguntas?
- Hm... Sei lá... Só queria saber...
- O errado e perigoso me atrai. - sussurrei sapeca.
- Hm... Eu não sou perigoso ok?
- O caminho de ficar com você que é... Posso quebrar a cara muitas vezes...
- Prometo não fazer isso com você.
- Promete? - perguntei inocente.
- Prometo. - ele me selou.
É Ross... Só prometeu mesmo... Sorri frouxo.
Fechei os olhos, bloqueei as lembranças, cansei de chorar, cansei de sofrer, chega! Nunca fui apegada a garoto nenhum! Por que diabos me apeguei a ele?
Consegui pegar no sono sem pensar em nada mais.
(...)
Acordei com meu celular tocando, desliguei o despertador, desnecessário, pois hoje eu entrava as 09h, mais tarde sei lá por que diabos.
Levantei, tomei um banho e peguei uma roupa pra dar uma volta, não olhei o horário, se eu faltasse também não teria problema... Teria sim, último ano, últimas provas...
Coloquei uma calça moletom e um moletom da adidas, prendi o cabelo e sai.
Meu pai não estava em casa, Lilly ou estava dormindo ou na casa dos Lynch, ou com Riker, pouco me importei, o que Lilly faz ou deixa de fazer já deixou de ser da minha conta.
Sai de casa, tranquei a porta e comecei a andar, ouvindo alguns "bom dia's" dos vizinhos, vendo alguns senhores e senhoras sentados nas varandas de suas casas fazendo nada, crianças brincando na rua, um casal discutindo na varanda, um gritando mais que o outro, e apontando pra tudo o que é lado, pensei rapidamente que não queria um casamento assim, não que meu casamento será a base da perfeição, terá algumas brigas, mas se eu e meu marido quisermos ser felizes, teremos que ceder as vezes...
Pensei em Ross e eu juntos... Morando na mesma casa, com dois filhos, talvez ele seja famoso, com sua banda e tal, ou talvez ele siga a proposta para fazer uma série da Disney... Tantos talvez... Talvez ele se case com Britany, ou talvez Aleisha, Beatriz, Anna, Luna... Tantas opções...
Calma lá, desde quando esse passeio era para pensar em Ross? Esse passeio era pra pensar em mim, minhas viagens quando eu me formar, minha faculdade de música, minha vida.
Passei umas duas horas andando, na verdade perambulando, olhando as casas, as pessoas, fui até onde meus pés aguentaram, decidi voltar para casa, antes que me atrasasse para a escola.
Voltei meio que correndo para casa, quando olhei no relógio quase tive um ataque cardíaco, 9h30, droga! Não dá nem tempo de tomar banho! A minha sorte é que eu não suei.
Peguei meu celular, passei um batom básico e peguei minha mochila.
Fui correndo para escola, que não era tão perto, droga! Merda! Por que logo hoje eu decidi ir caminhar? Nunca faço isso! Droga!
Cheguei quando a segunda aula estava começando, a professora me deixou entrar, dizendo que seria a primeira e última vez, sorri e me sentei na primeira carteira, a única que tinha sobrado.
Juro que tentei prestar atenção nas aulas, mas eu não estava com cabeça pra isso, a voz da professora parecia cada vez mais longe, mesmo que ela estivesse ao meu lado, berrando.
O horário do intervalo chegou rapidamente, Lilly e Maluh me abraçaram, Lilly contou tudo para Maluh, sem poupar xingamentos e palavras ofensivas, achei um pouco desnecessário, ms não comentei nada, preferi ficar quieta na minha... Pensando no nada.
Maluh, como sempre gorda, já estava comendo, enquanto eu nem relei na minha comida, as vozes do refeitório pareciam longe, a única coisa que eu ouvia era meu coração gritando de dor, pedindo para que tudo o que tivesse acontecido fosse apenas um pesadelo, mas na verdade não... Era tudo muito real.
Quando o sinal tocou, Lilly me balançou, me acordando do meu transe.
- Vão indo, tenho que pegar meu livro no armário. - sorri triste.
- Ok. - elas sorriram fraco e se foram.
Deixei minha comida intocada na mesa, fui a passos rápidos para meu armário, peguei meu livro e girei os calcanhares para ir para a sala.
Me arrependi amargamente disso, Ross estava todo risonhos com Brittany agarrada em seu pescoço, ela dizia alguma coisa e ria, quando seus olhos encontraram os meus, foi como se eu fosse atingida por uma avalanche, ele me esqueceu, ele me esqueceu, me esqueceu por completo, ele já me superou! Está com a Brittany... Senti meus olhos se encherem de lágrimas, fechei os olhos as segurando, fechei com tudo meu armário e corri para o banheiro mais perto.
Foda-se aulas, foda-se as matérias, foda-se tudo!
Entrei na primeira cabine vazia e me joguei no chão, as lágrimas já embaçavam o caminho, nem tranquei a porta, por que simplesmente abri a tampa do vaso e vomitei tudo o que tinha e não tinha comido, foi nojento, fechei a tampa do vaso e sai da cabine ainda soluçando.
- Ai ai Britt... Ele é tão lindo... - Aleisha parou de falar quando me viu. - O que aconteceu Niina? - ela perguntou falsamente preocupada.
- Nada da sua conta vadia! - eu disse entre dentes.
- Ai, foi por que a Britt ficou com seu namoradinho? - elas deram uma risada histérica. - Não liga amor, você supera... Afinal ele só queria ficar com você, não havia nenhum sentimento da parte dele, isso qualquer pessoa com olhos veria! - ela piscou.
- Cala a boca! Você não sabe de nada, nada! - eu disse segurando a raiva e um grito de ódio.
- Ah é? Sempre que ele te beijava nas aulas de educação física ele ficava de olho no corpo das outras.
- Principalmente no meu querida. - Brittany a cortou. - Bem, agora que estamos juntos... - juntos? Ele já firmou outro compromisso? - Eu quero você bem longe dele ok? Não lhe dirija a palavra nem se for obrigada ok?
- Será um prazer Brittany.
- Ótimo... - ela deu um sorriso vitorioso.
Elas deram as costas, saindo do banheiro.
- Vadia... - soprei.
- Disse algo amor? - ela se virou jogando os cabelos perfeitos.
- VADIA! CACHORRA! FILHA DA PUTA! - voei em seu pescoço, distribuindo tapas e socos. - VOCÊ É UMA VADIA! - ela gritava pedindo ajuda, tentava me unhar, coisa que conseguia com muito êxito.
- PARA! AI MEU CABELO! - ela urrava.
Aleisha nos encarava com medo e pânico nos olhos, ela não se mexia, só cobria a boca com a mão.
- VOCÊS SÃO DUAS PIRANHAS! - eu disse puxando um pedaço do cabelo de Brittany, trazendo junto alguns fios, ou melhor, um tufo de cabelo.
- PARA! VADIA É VOCÊ! - ela gritava desesperada.
Ouvi a porta bater na parede com tudo, fui puxava com força de cima de Brittany, eu chutava e tentava socar a pessoa que me tirou de cima dela, gritava até meus pulmões arderem.
Ouvi seu choro falso, ou talvez não tão falso, por que eu realmente havia a machucado.
- As duas para a minha sala, agora! - a diretora disse ríspida.
A pessoa que me segurava me soltou com receio, sai pisando fundo, mas antes de sair do banheiro, olhei para Brittany, com meus olhos ardendo de raiva, cuspi em seu rosto e dei um sorrisinho falso, saindo do banheiro.
- SUA NOJENTA! - ouvi ela gritar.
Me dirigi para a sala da diretora, atrás da mesma.
Ainda tive que espera-la me chamar, fiquei encarando as paredes da sala da secretaria, ouvi passos rápidos de saltos no corredor, estremeci, merda! Ela chamou meus pais!
Dito e feito, meus pais irromperam na secretária discutindo, logo atrás Brittany e seus pais.
- Ainda bem que vieram! - a diretora disse cordial. - Entrem todos.
Ela abriu a porta de seu escritório, entrei atrás do meu pai.
- Bem, eu lhes chamei aqui por que agora a pouco, a Srta. Brittany foi encontrada sendo espancada pela Srta. Niina, gostaria que seus responsáveis pudessem me ajudar a entender o que ocorreu.
- Por que você fez isso Niina? Você e Brittany sempre se deram bem! - meu pai começou.
Meus pais e os pai de Brittany eram amigos, afinal, nossas mães se conhecem desde muito pequenas e nossos pais se conheceram no trabalho.
- Eu não gosto dela! Eu a suporto! Apenas por que vocês são amigos, eu nunca gostei dela, ela é invejosa, quer tudo o que eu tenho, tem o prazer de me ver acabada, triste, brava e tudo o que possa trazer benefícios a ela! - coloquei as cartas na mesa. - É o que ela faz com todos aqui na escola! - me virei para seus pais. - Ela põe terror nessa escola, todos tem medo dela! Vocês acham que ela é santinha? Vocês sabiam que sua filha não é mais virgem? Que ela está namorando o cara mais galinha da escola, mas mesmo assim continua saindo com outros caras? Sabia que sempre que vocês a deixam sozinha, acreditando que ela não sairá de casa, na verdade ela está é em baladas? Bebendo todas? - coloquei as cartas na mesa. - Eu não sou santa também, mas não finjo ser alguém que não sou! - eu disse irritada.
Seus pais ficaram com uma expressão de confusão.
- Por que está nos dizendo isso Niina? - sua mãe perguntou.
- É mentira mamãe! Sempre que vocês me deixam em casa, eu fico comendo baboseiras e assistindo TV, ela que sai! - Brittany disse com uma voz de criança.
- Acreditem no que quiserem, podem perguntar para qualquer um nessa escola, todos irão afirmar-lhes o que eu acabei de dizer! - me encostei na cadeira.
- Mas o foco é a briga de vocês duas no banheiro! -a diretora cortou. - Por que vocês estavam brigando?
- Por que ela é louca! - Brittany disse.
- Por que eu estava com raiva, eu estava com raiva de alguém, esse alguém é o novo namorado dela, meu ex... - doeu falar aquilo. - E então ela e Aleisha começaram a falar que agora ele era dela, e muitas outras baboseiras, o que fez minha raiva crescer mais!
- Violência nunca é o melhor jeito de resolver as coisas Srta. Niina.
- Não me importa! A violência foi a unica maneira que eu encontrei de não matar alguém!
As expressões de todos naquela sala foram de espanto, "matar?" - pensei comigo, - "é, talvez eu não estivesse tão longe disso...".
- Srta. Brittany?
- Ela me machucou toda! Olha isso! - ela mostrou seus machucados.
- RECEBEU O QUE MERECIA VADIA! - gritei nervosa.
Levantei da cadeira já cansada de tudo, sai batendo a porta.
Ninguém veio atrás de mim, melhor assim.
Corri para o ginásio, fui até os vestiários, onde eu sabia que não tinha ninguém, além daqueles que passavam pelo mesmo que eu, ou estavam matando aula.
Mas para minha surpresa, estava quase deserto.
Exceto por uma pessoa loira, com um violão, pelo movimento de seus ombros, a pessoa chorava.
Paralisei assim que a pessoa levantou o rosto para me olhar...
- Eu... An... - eu disse entre soluços.
- Pode ficar... Não me importo. - ele secou as lágrimas.
Só lembro de me sentar, depois disso desmaiei.

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