Passei a tarde inteira ignorando os pedidos de desculpa do Ross. Eu estava de bom humor, e ele não ia conseguir acabar com isso.
Fiquei brincando com Pedro e jogando no celular. Ele ficava me atrapalhando o tempo todo.
- Para Pedro!! Deixa a mamãe jogar! - fiz cócegas nele.
- Mãe!! Não!! - ele ria que nem doido.
Dei um beijo na bochecha dele.
Senti meu celular tremer em cima da minha perna.
Despertador. Tenho que me arrumar.
- Vamos príncipe?
- Aonde mamãe?
- Nós temos que nos arrumar. Você lembra do jantar com a vovó?
- Ah... - ele fez bico.
- Não fica assim meu amor, vai ser legal. Prometo.
Ele continuou com bico e braço cruzado.
O peguei no colo e ele começou a gritar desesperadamente.
- Pedro! - segurei seus braços. – Eu posso até estar de bom humor, mas já chega! Pare com essa birra já!!
- Tá bom! - ele cruzou os braços.
- Então ótimo amor, põe um sorriso no rosto vamos.
Subi as escadas com Pedro perguntando, inconsolada e repetidamente, se tinha que ir mesmo. Ele preferia ficar assistindo desenho em casa.
Não respondi, apenas o coloquei na cama e tirei sua roupa.
- Tem que tomar banho?
- Tem Pedro! Nós vamos chegar tarde e você já vai estar cansado, vai dormir fedido?
- Tá. - ele marchou para o banheiro.
Abri o registro e ajudei Pedro a alcançar o sabonete para se lavar.
- Mamãe? - ele me chamou. - Você e o papai bligalam? - ele perguntou, com aquela carinha de confusão.
- Ah meu amor... Você lembra do amigo da mamãe, o Matheus? - ele assentiu. - Então... O papai não gostou muito dele, mas o Matheus é amigo da mamãe, e a mamãe ficou brava. Só isso. - sorri.
- Tá bom...- ele respondeu olhando para o chão, enquanto eu enxaguava o cabelo dele.
Ross ON.
Estava entrando no quarto, quando ouvi a Niina conversando com o Pedro no banheiro.
Juro que eu não queria ouvir a conversa, mas era praticamente impossível não o fazer.
Ela ficou “só brava”? Meu Deus, ela ficou foi puta ao extremo.
Me joguei na cama, suspirando alto e passando as mãos entre os cabelos. Eu estava com sono. Não consegui pregar o olho noite passada, de tanta raiva. Raiva da Niina, do Matheus, do ciúmes e de todo o resto.
Fiquei encarando o teto, até eles saírem do banheiro.
Pedro estava falando sobre tudo, eu nunca o vi tão animado assim.
Observei cada movimento da Niina, ela estava feliz, o que me fez sorrir também.
Ela parecia muito entretida no que Pedro falava, ou talvez não queria prestar atenção em mim.
Segui cada passo dela. Ela fazia tudo delicadamente e com um sorriso no rosto.
Ela vestiu Pedro e foi se maquiar.
- Papai! - Pedro pulou na cama. - Posso jogar no seu celular?? - ele fez cara de anjo.
- Pode. - tirei o celular do bolso e coloquei a senha.
- Cade meu jogo? - ele perguntou mudando de página várias vezes.
- Tá aí Pedro. Procura que você acha.
Ele sentou e encostou na cabeceira da cama. Niina estava no banheiro, com a porta aberta, se maquiando e cantarolando uma música qualquer.
Ela parecia tão indefesa, fofa e incrível... Ela era tão apaixonante... Tão... Ah esquece.
- Você não vai se arrumar não? - ela apareceu, já trocada e com as mãos na cintura.
- Já vou, já vou.
Levantei e fui pro banheiro.
Tomei um banho rápido e lavei o cabelo.
Me troquei em dois minutos. Vesti uma roupa "simples", mas formal.
Analisei a roupa da Niina.
Um vestido rosa até o joelho, com um cinto dourado e sapatos rosa brilhante.
Ela estava sorrindo para o celular. Não tentei descobrir quem ou o que era, senão ela ficaria mais brava ainda.
- Vamos? - perguntei pegando Pedro no colo.
Ela levantou e se calçou.
Pedro ainda jogava aquele joguinho idiota.
Eu desci na frente, enquanto Niina se olhava, novamente, no espelho.
- Cade a Niina? - Lilly perguntou, enquanto nos esperava agarrada com o Riker.
- Tá lá em cima. - apontei para as escadas, no exato segundo em que ela descia.
Cada degrau que ela pisava, parecia em câmera lenta. Ela estava linda demais.
Voltei minha atenção para cada detalhe. Meu Deus, eu tenho em mãos, a mulher mais linda do mundo. Obrigado Jesus!
- Eu nem vou te elogiar, senão sua auto estima vai lá pro espaço. - Lilly disse, o que fez Niina rir e mostrar sua arcada perfeita.
Que gay.
- Vamos logo! Eles vão nos matar se atrasarmos mais! - Riker pegou na mão da Lilly e a puxou para fora de casa.
Saímos todos. Eu fui dirigindo, por que o carro é meu.
Niina foi no passageiro, mas ficou quieta o caminho todo, encarando a estrada como se tal fosse muito interessante.
Riker e Lilly brincavam com Pedro no banco de trás. O rádio tocava uma música qualquer.
E o silêncio perdurava entre eu e Niina, até que decidi quebrar um pouco.
- Você tá muito linda amor... - disse sem tirar os olhos da estrada.
- Obrigada... - a encarei, ela estava corada.
Achei que ela fosse me elogiar de volta, mas o silêncio prevaleceu novamente. Até os três que estavam lá atrás aquietaram.
Fomos, praticamente, o caminho todo em silêncio, apenas Lilly e Niina trocaram algumas palavras.
De repente, de maneira inesperada...
- É... Então... Quando a gente vai pra Miami? - ela quebrou o silêncio.
- Não sei...
- Ahn... Nós também temos que resolver... Muitas coisas ainda... - ela continuou meio sem jeito.
- Nós podemos colocar o Pedro na creche se você quiser.
- Ah! Seria muito bom... - ela concordou.
Alguns poucos instantes se passaram e o silêncio retornou.
Estávamos sem jeito pra conversar.Como assim?
O resto do caminho fomos em silêncio.
Chegamos no restaurante. Estacionei perto da porta, Riker pegou o Pedro e entramos.
Já tinha uma mesa reservada, cheia de gente rindo e conversando.
Niina entrou e pegou Pedro no colo. Ela ficou mais perto de mim, provavelmente para me apresentar a seus tios.
E olha que oportuno, o Matheus estava lá.
Agora eu podia simplesmente esfregar na cara dele que a Niina é minha namorada.
Tive que apertar várias mãos e dar vários abraços, até finalmente poder me sentar.
Cada um estava com um cardápio, escolhendo suas comidas. Assim que terminamos de pedir, todo mundo voltou a conversar.
Fiz um sinal, que eu tinha combinado, para Lilly. Ela assentiu.
- Niina, vem comigo no banheiro? - ela perguntou se levantando.
- Por que? - ela questionou confusa.
- Probleminhas com a maquiagem, por favor.
- Tá. - ela revirou os olhos e levantou.
Dei um chute de leve no pé do Riker, que entendeu, rapidamente, o recado. Logo nos levantamos, deixando a mesa confusa, mas ninguém pareceu se importar tanto.
Já tínhamos falado com o gerente do restaurante, então estava ok.
Montamos o que precisávamos e esperamos as duas saírem do banheiro. Olhei no celular, já fazia 15 minutos que tínhamos subido no palco e nada das meninas voltarem.
Mandei uma mensagem para Lilly, mas ela não me respondeu.
Será que morreram lá no banheiro?
Eu já estava suando frio. Podia sentir o suor escorrendo pela nuca e minhas mãos mal conseguiam segurar o violão, de tão molhadas.
- Cadê elas? - Riker perguntou.
- Sei lá... Acho que morreram no banheiro.- falei nervoso.
- Nem brinca... A Lilly deve ter passado mal.
- Por que?
- Ela tá passando mal pra cacete esses dias. - ele deu de ombros. - Olha elas ali. - ele apontou para as duas, Lilly estava rindo de alguma coisa que Niina falou.
- Amor? - Niina ficou procurando por todo o lugar, até pousar os olhos no palco. - Você sabe que eu te amo... Sempre tem aquele ciúmes... - notei o Matheus respirar fundo quando eu disse isso - Mas me desculpe, eu acredito no seu amor. Espero que você goste dessa música.
ps: aconselho vocês a colocarem a música! Vai lendo com calma ;)
Do it again
There you are standing with all your friends
So I'll wait till you're alone again
And the minutes feel like eternity
All these words buried inside my heart
Every step feels like the hardest part
But the last six feet are gonna kill me
So just take this chance
I've got it all planed
I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man
And tomorrow we can do it again
(Tomorrow we can do it again)
If I could give you the world tonight
Then I would and still give you all my time
And I'd be rich 'cause love is everything
So just take this chance
I've got it all planed
I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man
And tomorrow we can do it again
Let's take this moment
It's ours to own it
So come with me don't let it go to waste
No you don't wanna
M-miss out on us
I'm telling you regrets don't fade away
I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man
And tomorrow we can do it again
I'll pick you up at eight and we can drive around
Take you the beach and we can head downtown
While you hold my hand
We'll park and lay down on the hood of my car
Listen to the airplanes as we count the stars
Tonight I'll be your man (I'll pick you up at eight, pick you up at eight)
And give you all I can (I'll pick you up at eight)
And tomorrow we can do it again
- Quando digo que te amo, não é por força de hábito, é só pra te lembrar que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E eu sei que ser feliz não se resume apenas em momento bons, mas também em momentos de brigas, de discussões. Porém tudo vale a pena, enquanto nós nos amarmos. E eu sei que têm muitas coisas que você não gosta em mim, assim como tem coisas que eu não suporto em você, mas eu sei que o amor reina entre nós. - ela estava chorando copiosamente. – Eu também se que já lhe fiz esse pedido uma vez, mas não custa reforçar, né? - dei uma leve olhada para o Matheus, ele estava quietinho. - Eu te amo, com todas as letras, palavras e pronúncias, em todas as línguas e sotaques, em todos os sentidos e jeitos, com todas as circunstâncias e motivos. Simplesmente te amo Niina. - Lilly estava rindo da irmã, que tremia e chorava. Aposto que ela estava me xingando mentalmente.
Deixei o violão num canto e desci do palco, ficando frente a frente com Niina. A maquiagem dela já estava toda borrada e ela soluçava forte.
- Niina... Você aceita casar comigo?
Ela ficou quieta por alguns segundos, o que gelou a minha espinha. De rabo de olho, notei um sorriso sacana se formar no rosto de Matheus. Sorriso de quem acha que ganhou. Que garoto mais impertinente!
Então, de repente, o ressoar da voz da Niina, fez com que eu me voltasse para ela, novamente.
- Ross, palavras não são capasses de expressar o que eu sinto por você. Eu simplesmente te amo, de uma forma que... Eu não consigo controlar, é muito mais forte que eu. Toda vez que eu simplesmente penso em me separar de você, meu coração dói e eu só me imagino morrendo. - ela deu um sorriso, por baixo das lágrimas. - É claro que eu aceito me casar com você! Pode me perguntar isso cinco bilhões de vezes e a minha resposta vai ser a mesma. - e, então, ela finalmente me beijou. Não um beijo qualquer, mas diferente, quente e cheio de saudade.
Todo mundo começou a gritar, o que fez Niina rir e nos separar.
Eu não resisti, tive que olhar para o Matheus. Ele estava boquiaberto. E sério. O sorrisinho sacana, que estava estampado no rosto dele, há poucos minutos, deu lugar à uma expressão de decepção total. Também pude notar o sorriso de malgrado, quando o pessoal da mesa comemorou. Talvez ele cogitava a possibilidade da Niina negar o pedido, mesmo que, no fundo, ele soubesse que ela não o faria. Coitado!
Olhei diretamente para ele, e devolvi o sorriso sacana, com prazer inigualável!
Senti a Niina pegar na minha mão, o que me fez voltar a atenção para ela. Ela me puxou, e fomos nos sentar. Pedro estava no colo da mãe da Niina.
Niina sorria muito, e em momento nenhum soltou minha mão.
- Uhum! - a avó da Niina levantou, batendo de leve na taça, com o garfo. - Gostaria da atenção de todos. - todo mundo se voltou a ela. - Esse jantar não foi promovido sem motivo, eu tinha um objetivo, juntando todos os meus filhos, netos, cunhados e também amigos. - Niina me olhou apreensiva. Apertei sua mão carinhosamente, como se dissesse “vai ficar tudo bem”. - Bem, como vocês sabem, eu não enrolo para contar as coisas. Eu sei que será um choque pra vocês, mas juro que não é nada demais. - todo mundo sorriu nervoso. - Como vocês sabem, eu tenho vários problemas de saúde, então tenho que sempre monitorar. E num desses exames de rotina, eu descobri que estou com... Leucemia. – todos se entreolharam, chocados. Niina me olhou novamente, mas, dessa vez, um olhar desesperado. Seus olhos já estavam cheios de lágrimas.
A abracei. Ela tremia, e eu a entendo. O medo de perder a avó, uma pessoa tão querida, medo de sua mãe entrar em depressão por isso, medo do sofrimento de sua avó, tudo isso veio sobre ela como uma bomba! Coisas demais pra ela se preocupar.
- Vai ficar tudo bem baixinha... - beijei seus cabelos, que estavam com um cheiro incrível de frutas vermelhas, e a abracei.
Nesse momento, tudo o que eu queria era sumir com todos os problemas, mas eu não podia fazer isso. Eu só podia confortá-la... E ama-la mais do que nunca...
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