sábado, 19 de setembro de 2015

Capítulo 5 - Sorry.

Eu não queria voltar pra casa, porque eu sabia que no instante que eu passasse pelo portão, os problemas cairiam sobre mim como uma enxurrada! Eu simplesmente não queria voltar... Mas não podia dormir fora de casa com Pedro.
- É Pedro... Você não tem culpa de nada... Fica no meio, sem nem saber o que está acontecendo. - sorri triste. Eu já tinha dado o remédio e ele já tinha parado de chorar.
Pedro foi quietinho o caminho inteiro, então eu pude colocar meus pensamentos no lugar.
Eu tinha aceitado ir embora amanhã, por que eu estava com raiva do Matt... Aliás, falando em Matt, eu preciso conversar com ele, pedir desculpas, coitado, ele não era culpado.
Estacionei o carro. A luz da sala estava acesa, indicando que o pessoal ainda estava acordado.

Bufei, soltei o cinto e fiz todos os próximos movimentos com extrema lentidão, adiando ao máximo minha entrada na casa.
Pedro estava quase dormindo, pois o remédio dava muito sono.
Tranquei o carro, o que fez Lilly aparecer na porta.
- Achamos que você tivesse decidido fugir com o Pedro.
- Eu pensei nisso... Mas Pedro não é meu filho... Mesmo que eu o considere, eu poderia ser presa por isso. - dei de ombros.
- Entra logo e para de falar besteira. - ela me puxou pra dentro.
Sorri para todos, sem trocar nenhuma palavra. Subi  rapidinho, antes que Pedro dormisse no meu colo.
Assim que abri a porta, vi Ross sentado na ponta da cama, com a cabeça entre as mãos. Ele parecia muito concentrado no que estava pensando... Mas só parecia mesmo...
- Pensei que você não fosse voltar. - ele levantou, vindo pra perto.
Dei um passo pra trás, aumentando nossa distância.
Fiquei quieta. Criancice? Sim, mas eu não conseguia simplesmente falar com ele... Bom, não sem, pelo menos, xinga-lo ou chorar.

Coloquei um pijama no Pedro e o coloquei no colchão. Ele virou pro lado, colocou o dedo na boca e fechou os olhos...santo remédio!
Me troquei e deitei. A TV não estava ligada, indicando que Ross também estava morrendo de sono, ótimo!
Ele deitou do meu lado, ajeitou os travesseiros e veio se aconchegar em mim, como sempre.
Empurrei sua cabeça para os travesseiros novamente.
- Que foi Niina? - ele perguntou, confuso. - Agora vai dizer que não me quer mais por perto?
- Ross... Por favor, me deixa. - me virei, puxando o cobertor.
- Niina, eu não acredito que você vai ficar toda putinha por causa...
- Não é só por aquilo Ross! Você me fez brigar com um amigo que eu não via a anos! Poxa! Você não confia em mim? Não acredita no meu amor?
- Eu confio Niina! Mas você acha que eu não vi os olhares dele pra você? Ele praticamente babava!
- Babava por uma pessoa que ama outro! - praticamente gritei.
- Niina...
- Chega Ross! Você não tinha motivos pra ficar de criancice! Eu esperava mais de você. - tirei o cobertor de cima de mim, coloquei Pedro na cama e me deitei no colchão, no chão.
- Ah não Niina! Pode vir pra cama! - ele reclamou.
- Não! Me deixa em paz! Vai dormir! - apaguei o abajur, me cobri e virei para a parede. Além disso, como se toda aquela situação não bastasse, o sono decidiu me abandonar pelo resto da noite.
(...)
Acordei com minha mãe batendo freneticamente na porta.
- Vamos acordar! Vamos! Vamos! - ela disse feliz. - Bom dia pequeno! - ela pegou Pedro, que já estava mais acordado. - Vem com a vovó. - ela saiu do quarto com o pequeno no colo.
- Bom dia. - Ross disse esfregando os olhos... Nossa!! Como isso o deixava com um ar infantil.
Que idiotice! Ross é uma criança em corpo de adulto.
Passei os dedos entre os fios de cabelo, desfazendo alguns nós.
Levantei do colchão e fui ao banheiro, para escovar meus dentes.
Ross fez o mesmo.
Até parecíamos um casal fofo, escovando os dentes juntos e tal... Mas na verdade estávamos brigados.
Cuspi toda a água da minha boca, sequei meu rosto e as mãos e não fiz mais nada em seguida, apenas peguei um chinelo e desci.
- Bom dia. - todos disseram em uníssono.
- Bom dia. - sorri fraco e me sentei ao lado de Lilly.
E por falar em Lilly... Nós ainda temos que conversar!! Tenho que parar de fugir e ouvi-la, antes que ela fique brava comigo!!
Ross desceu logo depois, já trocado. Ele  tem a capacidade de, simplesmente, colocar qualquer roupa e ficar lindo! Como? Eu não sei! Só sei que queria ter essa magia!
Peguei uma torrada, passei manteiga e me servi de leite.
Pedro estava sendo muito mimado pela minha avó e minha mãe. Elas davam tudo o que ele pedia!! Ai depois ele fica mimado e a culpa é minha.
Tomamos nosso café, sem muitas novidades.
Não sentia mais aqueles olhares me julgando. Sentia um clima mais leve, acho que todos tinham entendido meu lado.
- Niina!! Temos uma novidade! Pra você e pro Ross! - minha mãe anunciou batendo palmas.
- Fala logo mãe.
- Ok... - ela sorriu. - Nós fomos ao mercado hoje cedo, e tinha um panfleto. - ela me entregou o mesmo. "Festa anos 50" - Nós pensamos que seria legal... Voltar um pouquinho no passado.
- E vai ser quando?
- Na quinta... - ela sabia que queríamos ir embora hoje, na segunda. Ela queria nos segurar aqui por mais tempo. Por que isso, se ela sabe que eu e o Ross não estamos em um bom momento?
- Mãe... - comecei, meio insegura do que eu ia perguntar.
- Sim?
- Podemos conversar mais tarde? - decidi falar com ela a sós.
- Sim. Claro. - ela sorriu, lendo minha mente.
Sai da mesa e me dirigi ao quarto, novamente. Notei o meu celular tremer em cima do criado-mudo.
Pulei na cama, alcançando-o.
Matheus@@ "Oii Nii!! A Lilly passou seu número, espero que não tenha problema..."
Matheus?? Ok né...
"Oiiiii Matt!! Claro que não tem problema! ;)"
"Hahaha que bom!! Mas e ai... Alguma novidade? Já se resolveu com o seu namorado?"
"Não Matt... E falando nisso, eu preciso falar com você!!"
"Por que??"
"Nada demais príncipe! :) só preciso falar com você!!"
"Ok ok... Me encontra naquele café perto da cidade? Daqui 20min?"
"Ok... Te vejo lá"
Travei o celular e pulei da cama. Ainda tinha que me trocar!
Peguei um jeans e uma camiseta soltinha, estava ótimo.
Penteei o cabelo e desci.
- A onde vai Niina? - Ross perguntou, ele estava com Pedro na sala.
- Encontrar com o Matheus. - disse meio sem dar atenção.
- Por que?
- Pra pedir desculpas, pela sua ótima atuação de ontem. Mais nada. - peguei minha bolsa e sai, sem deixá-lo encher mais o meu saco.
Destravei o carro e liguei o radio, que por ironia tocava na Disney. Estava tocando uma música de Austin&Ally, NINGUÉM MERECE! Desliguei o rádio com raiva e arranquei.
(...)
Matheus estava na frente do café, me esperando. Ele estava com óculos escuros, calças da mesma cor e uma camiseta branca,lindo!! Não pera... Ah foda-se, Ross não vai ler minha mente.
- Oi. - ele me cumprimentou com um beijo na bochecha.
- Tudo bem? - ele assentiu.
- Vamos entrar... - ele abriu a porta pra mim, que fofo.
Nos sentamos numa mesa mais afastada, pra podermos conversar em paz.
- Vai querer alguma coisa Nii?
- Não Matt... Já comi. - sorri.
- Então só um café. - a garçonete praticamente babava nele.
Revirei os olhos. Eu estava segurando a maior vela para a garçonete, que estava quase engolindo o Matheus... Você já pode ir amiga!!!
Segurei a risada. Ela estava praticamente se jogando no Matheus, e ele apenas sorria pra coitada.
- Que foi Niina?
- Nada... - continuei segurando o riso.
- Você é uma idiota sabia? - eu ri. - Uma idiota linda. - ele baixou os olhos.
- Matheus! - ralhei. - Pode parar, ok?
- Tá bom... - ele sorriu. - Pra que pediu pra me ver, hein?
- Pra te pedir desculpas! Eu fui uma idiota por ter acreditado no Ross! Eu sabia do ciúmes dele... O problema é que, às vezes, ele não consegue controlar! Me desculpa? - perguntei mordendo meu lábio, de leve.
- Claro que sim baixinha! A atuação dele foi realmente muito convincente! Até eu achei que o tivesse machucado... - ele deu de ombros.
- Por isso que eu gosto tanto de você. - me levantei e o abracei.
Por que eu não me apaixonei por ele? Seria tão mais fácil... Mas o Ross... Ah o Ross...
- Mas e você e seu namorado...? - ele perguntou, enquanto eu sentava.
- Ah... - olhei pela janela, enquanto todas as nossas brigas passavam pela minha cabeça, como um rápido flashback. - Nós brigamos de novo... - dei de ombros, fingindo que não me importava, mas no fundo estava machucando muito. – Às vezes... Eu acho que ele não acredita em mim, sabe? Que ele não confia no meu amor, que eu faço questão de deixar bem claro, todos os dias! - eu já segurava as lágrimas. - Esses dias eu tenho pensado muito sobre ter aceitado me casar com ele... Somos tão jovens... Eu ainda tenho 19 anos! Eu já tenho que cuidar de uma criança! Tenho faculdade... E morar sozinha? Vou ter que cozinhar, lavar, passar, cuidar do Pedro, da minha faculdade, do Ross e ainda vou ter que manter contato com a minha família e amigos... Eu não sei se aceitar  me casar com Ross foi a escolha certa. - desabafei.
- Você o ama? - Matheus perguntou.

Mordi meu lábio com força, segurando as lágrimas, e assenti. Sim....eu amo aquele idiota! Eu o amo como nunca amei ninguém.... O amo inexplicavelmente!
A questão é... Ele  me ama?

@NiinaSmith "#Matt"
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@gabyeLycnh "Que vagabunda! Já tá trocando o Ross? Ele já viu essa putaria?"
Ross ON
- Cade a Niina? - Lilly perguntou sentando no sofá.
- Foi se encontrar com o Matheus. - eu disse entre dentes, me lembrando da expressão de "foda-se" da Niina, quando saiu.
- Podemos conversar um minuto Ross? - ela perguntou apontando para as escadas.
Assenti e levantei. Pedro estava brincando com Riker, então ok.
Subimos quietos. Lilly na frente, e eu apenas a seguindo.
Ela abriu a porta do quarto, em que ela e Riker estavam, e mandou eu entrar. Em seguida, ela trancou a porta.
Sentamos na cama, ela cruzou as pernas, o que a deixou meio infantil.
- E então... Pra que me chamou...
- Eu vi as brigas que vocês tiveram! Ontem à noite! E claro, a da tarde. - ela cortou. - Pra que tanto ciúmes Ross? - ela foi direta.
É Ross... Pra que tanto ciúmes?
Dei de ombros, nem eu sabia a resposta.
- Como assim não sabe?! É um ciúmes sem fundamento? Como você é idiota! Fica irritando a Niina... E por que?? Por nada? Você sabe muito bem que a Niina te ama! Porra Ross! - ela explodiu.
- Eu não sei Lilly... Eu só queria tirá-la de perto daquele moleque... Mas a única coisa que eu consegui foi aproximá-la mais ainda dele.... E afasta-la de mim.- deixei transparecer minha tristeza.
- Bem feito! - ela zombou. - Você sabe que a Niina não suporta ciúmes excessivo! - assenti. - Você já tem alguma coisa em mente?
- Pra que?- perguntei confuso.
- Como você é lerdo! - ela disse nervosa. - Porra Lynch! Você já tem alguma coisa em mente pra pedir desculpas pra ela?
- Ah... - suspirei negando.
- Você tem até às sete da noite pra pensar.
- Por que?
- Nós vamos sair, parece que minha avó quer contar alguma coisa, não sei direito.
- Nós vamos a onde?
- Num restaurante aqui perto... Ah!! tem um palco lá... - ela se levantou e saiu, me deixando pensativo.
"Tem um palco lá..." O que ela quis dizer com isso?
Então, como uma centelha, eu entendi a jogada da Lilly.
Levantei da cama depressa, se tem um palco... Eu posso... É, eu posso.
Desci as escadas praticamente correndo, eu estava desesperado, ideias surgiam na minha cabeça como bombas.
- RIKER!! – gritei enquanto descia correndo.
- Que?
- Preciso da sua ajuda! - eu disse com a respiração falhada pela corrida.
- Pra que exatamente?
- Hm... A Lilly me deu uma ótima ideia pra pedir desculpas a Niina... Preciso da sua ajuda! - insisti.
- Tá bom... Tá bom... - ele revirou os olhos.
Pedro estava mais interessado no jogo que passava na TV, do que se estava sozinho ou não.
Subi correndo, peguei meu celular e o violão que usei no piquenique.
(...)
Eu e Riker passamos a tarde inteirinha fazendo o que eu tinha pensado.
A Niina não chegou cedo, saiu às 11h e só voltou às 16h,muito tempo com aquele menino!
Calma Ross, respira, eles não fizeram nada demais!
Niina estava mais radiante e conversando com todo mundo, menos comigo.
- Amor? - a chamei, ela continuou concentrada no joguinho. - Amor...? - passei a mão na frente do celular.
- Que? – disse ela, friamente.
- Você vai continuar me dando gelo?
- Sim.
- Que criancice. - ela deu de ombros. - Você já tá sabendo do jantar hoje a noite? - tentei puxar assunto. - Hm... Já sabe que roupa você vai...? Por que não quero que você fique mais nervosa...
- Já sim. - ela não falava mais de duas palavras comigo, QUAL O PROBLEMA??? Bom... Tecnicamente, eu sei qual é o problema...
- Desculpa amor... - a abracei de lado.
Ela não me repudiou, mas também não sorriu e me beijou, apenas continuou jogando o joguinho.
- Porra Niina! - explodi.
- Que foi?
- Desculpa! O que mais eu tenho que fazer?
- Me deixa em paz. - ela me empurrou.
E mais uma vez eu a afastei de mim. Espero que o meu plano dê certo...
Niina ON.
Quando cheguei em casa, achei estranho Ross e Riker estarem trancados no quarto.
Quando me aproximei para ver o que estava acontecendo, só ouvi acordes e algumas palavras, eles devem estar compondo.
Voltei para a sala e ali fiquei, pesando na roupa que eu ia no tal jantar de hoje a noite. Como eu vou aproveitar a noite, estando brava com Ross? Eu não podia perdoá-lo, ele teria que me provar que merecia ser perdoado.
Dessa vez ele terá que se superar e me impressionar mesmo, se quiser ter a minha confiança novamente...
Terá que provar que me ama como eu o amo...

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